São Caetano registra 322 postos de trabalhos formais em junho

No saldo acumulado de 2025, o município registrou um saldo positivo de 1.666 novos postos de trabalho, totalizando um estoque de 118.995 trabalhadores com carteira assinada. Os dados foram organizados e analisados por Bruno Castro, professor de gestão do Centro Paula Souza e pesquisador convidado da USCS

Fonte: Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), 2025 – Série com ajustes. Elaborado por Bruno Castro a partir de dados do Novo CAGED

São Caetano do Sul registrou 322 postos de empregos com carteira assinada no mês de junho, conforme dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados nesta segunda-feira (4) pelo Ministro Luiz Marinho do Ministério do Trabalho e Emprego.

Os dados foram organizados e analisados por Bruno Castro, professor de gestão do Centro Paula Souza e pesquisador convidado na área de atração de investimentos produtivos e monitoramento do mercado de trabalho formal na cidade de São Caetano do Sul pelo Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS.

A pesquisa de monitoramento do mercado de trabalho formal na cidade de São Caetano do Sul serve como um termômetro para compreender o perfil e a dinâmica das admissões e demissões dos seus respectivos setores no município, sendo essencial para orientar políticas públicas, investimentos privados e estratégias de desenvolvimento na cidade, comenta o professor.

O setor de Serviços manteve-se como o principal motor da geração de empregos, com um saldo líquido de 273 vagas. O tempo médio de emprego dos trabalhadores desligados foi de 18,3 meses, o que indica a continuidade de um ambiente com elevada rotatividade de mão de obra.

A Construção Civil foi o destaque positivo do mês, assumindo o posto de segundo maior gerador de empregos com um saldo de 115 vagas. O desempenho do setor foi um contraponto importante à desaceleração geral, impulsionando o resultado agregado. A rotatividade no setor permaneceu alta, com o tempo de emprego dos desligados em 16,3 meses.

O setor de Comércio registrou um saldo positivo de 11 postos de trabalho. O tempo de emprego dos desligados foi de 18,4 meses, em linha com o perfil de alta rotatividade do setor.

A Indústria apresentou retração com uma perda líquida de 77 postos de trabalho. O tempo médio de emprego dos profissionais da indústria desligados foi de 69,9 meses, o maior entre os setores econômicos, o que pode ser explicado por maiores salários e melhores pacotes de benefícios, explica o professor.

No saldo por sexo, a criação de empregos foi impulsionada predominantemente pela mão de obra feminina. As mulheres responderam por um saldo líquido de 221 vagas, o que representa 68,6% do total de postos gerados no mês. Os homens também tiveram um resultado positivo, mas moderado, com um saldo de 101 vagas.

No saldo por escolaridade, o grau de ensino médio completo foi o principal motor da empregabilidade, com um saldo expressivo de 274 vagas. O ensino superior, em uma reversão positiva em relação ao mês anterior, tanto o superior incompleto (+33) quanto o superior completo (+10) registraram saldos positivos, ainda que modestos.

No saldo por faixa etária, a juventude continua sendo o principal vetor do crescimento. A faixa de 18 a 24 anos liderou com 145 vagas, e os trabalhadores com até 29 anos somaram um saldo de 254 postos, representando quase 80% do total de empregos formais gerados na cidade, afirma Castro.

Na comparação com junho de 2024, houve um recuo na capacidade de geração de novos postos de trabalho formais em 16,80%, menos 65 postos em números absolutos. No acumulado de 2025, a cidade registrou um saldo positivo de 1.666 novos postos de trabalho, comenta o professor.

Ainda na comparação de junho de 2024, o município apresentou um crescimento de 794 vagas no estoque total (total de empregos formais) confirmando que, no balanço dos 12 meses, a economia local conseguiu expandir sua base de empregos formais, um sinal de resiliência estrutural e crescimento, comenta o professor.

Ao todo, o município registrou no mês de junho 5.598 admissões e 5.276 desligamentos, registrando um saldo positivo de 322 novos postos de trabalho, totalizando um estoque de 118.995 trabalhadores com carteira assinada.

“O saldo positivo de vagas é, à primeira vista, uma boa notícia, mas a análise detalhada dos dados exige cautela. Estamos observando um paradoxo preocupante: o crescimento se concentra em postos de baixa qualificação, baixa remuneração e alta rotatividade para jovens, principalmente com ensino médio, enquanto há uma destruição líquida de vagas estáveis, ocupadas por profissionais mais qualificados e experientes. Isso sinaliza um risco de precarização da nossa estrutura de emprego a longo prazo. O verdadeiro desafio para São Caetano não é apenas gerar quantidade, mas garantir a qualidade e a sustentabilidade do trabalho na cidade, retendo o capital humano que hoje migra para regiões como Barueri, Faria Lima, Paulista, Pinheiros, Vila Mariana e Vila Olímpia”, finaliza o professor Bruno Castro.