Nessa última semana de outubro pudemos ver cenas lamentáveis da megaoperação realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, contra o Comando Vermelho. Essa se tornou a operação policial mais letal da história do país, com mais de 120 vítimas, sendo 4 policiais.
Apesar de serem completamente necessárias as ações contra o crime organizado, a opção escolhida pelo governo carioca – que infelizmente recusou ajuda do Governo Federal a princípio, possivelmente por questões políticas -, foi um tanto quanto equivocada, já que oficiais recém-formados perderam a vida e outros estão internados. Outro fato apurado pela Folha de S.Paulo é que vazaram informações a respeito da operação, o que contribuiu para a fuga dos líderes da organização criminosa.
Mesmo assim, o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL) confirmou ter sido um sucesso o trabalho realizado. Mas onde um sucesso? Essa dúvida que fica no ar. Ele conta pelo número de apreensões? Número de bandidos x policiais que perderam a vida? Dúvidas que provavelmente ele não vai esclarecer, mas que quase com certeza absoluta, vai servir de palanque eleitoral para ele e tantos outros políticos no país nas eleições que se aproximam, infelizmente.
Aqui em nossa região já começou o papo do “nós contra eles” sobre esse assunto. Lamentável!
Sabemos que falar de fora é fácil, mas experiências de fora ensinam que esse tipo de combate precisa combinar esforços policiais, com cooperação internacional e com políticas sociais e de prevenção. E estratégias eficazes incluem reduzir o poder financeiro das organizações, investindo em inteligência e cooperação policial e judicial, além de reduzir a vulnerabilidade com políticas sociais.
Além disso, o combate à corrupção é algo mais que necessário, já que como vimos aqui em São Paulo, o crime não está apenas na favela e na cor de pele, está nos grandes centros empresariais, onde o dinheiro é quem manda.
A direção