Bertolt Brecht (1898-1956), dramaturgo alemão, disse certa vez: “A cadela do fascismo está sempre no cio”.
A frase serve muito bem para a extrema direita brasileira. Passou o governo anterior inteiro tentando, por todos os meios, desacreditar e destruir as instituições democráticas, especialmente o STF. Após a derrota eleitoral, ensaiou várias formas de não entregar o governo. Por fim, em 08 de janeiro de 2023, promoveu uma tentativa de golpe de Estado.
Frustradas suas pretensões, os que o tentaram promover foram julgados, tendo sido respeitadas todas as etapas do devido processo legal, com direito a defesa, a recursos e prazos, e estão presos.
Os principais estão em celas mais confortáveis que a moradia de maioria da população brasileira. Ainda assim, as reclamações por acomodações e por serviços de saúde, condições nem de longe semelhantes às dos demais presidiários, não pararam uma semana sequer. E continuam.
Agora surge uma novidade. Marchas e caminhadas são comuns tanto na história mundial como na brasileira. Basta lembrar a Marcha de Mao Tsé Tung, na China. A Marcha do Sal, de Mahatma Ghandi, na Índia. Pelos Direitos Civis nos Estados Unidos da América, de Martin Luther King Jr.
No Brasil, a Coluna Prestes – de Luiz Carlos Prestes, na primeira metade do século XX, quando ainda nem era comunista. As memoráveis marchas do MST, às quais se refere Paulo Freire em Pedagogia da Indignação. E hoje, as Marchas do Grito dos Excluídos, no 07 de setembro, já na sua 31ª edição.
Todas essas marchas identificadas com os anseios mais profundos e mais urgentes das maiorias empobrecidas e oprimidas das populações e, por isso mesmo, identificadas de alguma maneira com a esquerda.
Pois agora, um deputado de extrema direita, do PL de Minas Gerais, espertamente tenta inovar e tomar para si essa bandeira da esquerda e promove uma caminhada de 240 quilômetros, de Paracatu-MG, até Brasília.
O objetivo? Libertar o chefe maior da tentativa de golpe de Estado, que está preso na capital federal. E, claro, retomar todas as articulações para um golpe de extrema direita no Brasil.
Precisamos lembrar sempre as palavras de Winston Churchill, um dos líderes da vitória sobre o nazifascismo na Segunda Guerra Mundial: “a democracia é o pior dos regimes políticos, mas não há nenhum sistema melhor que ela”.
Ainda que essa caminhada se realize, a sociedade brasileira não pode aceitar ser afrontada desta maneira.
Temos o dever de repudiá-la. E de fazer melhores escolhas para a nossa Câmara Federal neste ano.
Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com