A proposta de restringir a gratuidade do transporte público, conhecida como Tarifa Zero, exclusivamente aos residentes de São Caetano do Sul exige uma análise técnica mais aprofundada. A Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano do Sul manifesta preocupação com os impactos econômicos e produtivos que essa limitação pode gerar para o município.
São Caetano do Sul abriga atualmente mais de 121 mil empregos formais, número expressivo para uma população estimada em 170 mil habitantes. Esse dado evidencia uma característica estrutural da economia local: a dependência de uma força de trabalho pendular, composta majoritariamente por profissionais que residem em cidades vizinhas. A elevada valorização imobiliária, a saturação do solo urbano e a perda de densidade industrial tornaram esse movimento não apenas comum, mas essencial para a manutenção da atividade econômica.
Estudos realizados pela CD L, com base no mapeamento de 84 atividades econômicas e na análise georreferenciada das linhas de transporte, demonstram que o sistema de mobilidade urbana vai além de uma função social.
Ele atua como eixo estratégico de escoamento da mão de obra que sustenta os setores industrial, logístico e de serviços, especialmente nos bairros Fundação, Cerâmica, Barcelona, Santa Maria e Santa Paula.
A restrição do Tarifa Zero por critério de residência cria uma barreira artificial à dinâmica regional, elevando custos operacionais de inúmeras empresas do município pressionando diretamente a folha de pagamento.
Em um cenário de transição para uma nova matriz tributária e de ausência de políticas estruturadas de atração da nova economia, esse tipo de medida pode comprometer a competitividade do município em âmbito regional.
Como alternativa, a Câmara de Dirigentes Lojistas propõe a adoção do Passe Credencial para Empregados, instrumento capaz de garantir o acesso ao transporte, monitorar fluxos produtivos e preservar o ambiente favorável à geração de empregos.
O Tarifa Zero adotado em São Caetano há mais de dois anos, deve ser compreendido não apenas como política de justiça social, mas como um ativo estratégico para o desenvolvimento econômico sustentável do município.