Evitar a dor e maximizar o prazer talvez seja uma das nossas maiores obsessões ao lado de sabermos de onde viemos e para onde vamos, ao ponto do hedonismo exacerbado se virar contra nós. Num mundo que ter é mais importante do que ser, o sofrimento se propaga com o horror das consequências climáticas e com guerras que parecem intermináveis.
Há dor quando vemos o animal mais feroz ser nossa vítima e do vegetal uma futura lembrança na medida em que a biodiversidade se perde nas vãs prioridades do homem que deixa sua marca no planeta de uma forma mais que voraz, colocando suas digitais de maneira hostil e perversa, minimamente nas últimas sete décadas.
Neste século, compartilhar se tornou um mantra cantado no instante em que simplesmente postamos algo ou alugamos um patinete, insistimos em ter o remédio para todas as dores. Nossas feridas são abertas e fechadas ao passo em que sentimos o retrocesso humano quando nos deparamos com o início de conflitos que destroem o tal futuro comum.