Estamos no período que para cristãos e cristãs se denomina Quaresma. Refere-se aos quarenta dias antes da Páscoa e tem o sentido de reflexão e arrependimento e chama à solidariedade.
Neste período a Igreja Católica Romana realiza a Campanha da Fraternidade. Trata-se de uma ação visando “educar para a vida em fraternidade, a partir da justiça e do amor” e “renovar a consciência da responsabilidade de todos na promoção humana, em vista de uma sociedade justa e solidária”. A cada ano é escolhido um tema social relevante, não só para os católicos, mas para toda a sociedade.
Neste ano, o tema é moradia. Uma questão que deve interpelar a todos, não apenas aos cristãos. A Campanha chama a atenção em especial para as pessoas em situação de rua, que, por diversos motivos, perderam sua moradia e vivem e dormem ao relento. Nossas cidades estão repletas de pessoas assim e a população de rua cresce a cada ano. Só na região do Grande ABC, em 2024 foi registrado um total de 2.703 pessoas. Na cidade de São Paulo, com base no CadÚnico de 2024/2025, chegou a 80.000 pessoas, população maior que a da imensa maioria dos municípios do país.
É um verdadeiro escândalo. Todos nós ao andarmos nas ruas nos defrontamos vez por outra com cenas lamentáveis de pessoas ou famílias vivendo nessa condição deplorável. No entanto parece que já naturalizamos a situação e, quando muito, sentimos pena e impotência diante desse quadro. Também há repulsa e até violência contra essas pessoas.
É para essa realidade que a Campanha da Fraternidade nos alerta. No mínimo para despertar a consciência que não podemos aceitar como normal essa situação e que alguma coisa precisa ser feita.
São louváveis ações de caridade. Porém, para resultados efetivos, é necessário atacar as causas da situação. E elas estão na injusta e indecente concentração da riqueza do país nas mãos de uma pequena elite. Apenas 1%, os grandes ricos, ou 20%, considerando a classe média. Também é importante ressaltar que o setor dos negócios imobiliários tem grande parte da culpa. Diferentemente do que diz a Constituição Federal, a moradia, para eles, não é um direito humano fundamental, mas um negócio. Esse é o espírito do capitalismo.
Enquanto isso no Congresso Nacional a maioria está ocupada em diminuir gastos sociais e garantir que a concentração da renda não mude. E que os ricos, eles inclusive, ganhem cada vez mais, embora enganem a população com discursos bonitos.
Vamos continuar elegendo pessoas assim para Deputado Federal ou Senador?
Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com