Vimos esta semana o desenrolar de mais um capítulo do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro, agora relacionado a Flávio Bolsonaro, pré-candidato à presidência pelo PL.
Flávio foi flagrado pedindo milhões de reais a Vorcaro, um empresário envolvido em todo o tipo de negócio escuso, desde golpes financeiros a envolvimento com o crime organizado.
A direita bolsonarista, que tentava se descolar desta crise, agora está no olho do furacão, pois com os áudios vazados fica impossível negar a proximidade e a relação, no mínimo, pouco republicana entre Flávio e Vorcaro. Afinal, alguém acha que um banqueiro como Vorcaro financiaria um filme com milhões de reais somente por amor à sétima arte?
Como diz o velho ditado, “quem paga a banda, escolhe a música”, e é este aspecto que devemos enfatizar neste caso. Este episódio ilustra, mais uma vez, como um grande poder econômico se transforma em poder político, influência e redes de contato.
E ilustra muito bem como funcionam as estruturas do Estado burguês brasileiro, neste país de capitalismo dependente. As redes de contato e influência de Vorcaro abrangiam o executivo, o legislativo, o judiciário e os meios de comunicação, financiando esses poderes para que defendessem seu projeto rentista de país e seus interesses pessoais.
E que ninguém se faça de rogado, pois todo grande empresário, todo bilionário deste país, tem o mesmo modus operandi de Vorcaro: transformar seu poder econômico e influência direta em poder político para que este atue como seu funcionário. Isto é uma segunda-feira normal no atual jogo da democracia liberal e do capitalismo dependente.