Da mesada a quadrilha

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

16 de Maio

As notícias começaram com uma mesada. Não qualquer mesada. De R$ 300 mil a R$ 500 mil. Mais ou menos 185 a 308 salários-mínimos. Uma empresa que paga esse salário, pode empregar mais ou menos 185 a 308 trabalhadores. E cerca de 35% da população, aproximadamente 73 milhões e 500 mil pessoas, ganha salário-mínimo.

Mesada que não era para quem ganha nada ou pouco. Era para uma pessoa que deveria ganhar R$ 46.366,19 (pode ter outros penduricalhos). Próximo a 29 salários-mínimos. E tem uma mansão de R$ 22 milhões. De onde será que vem todo esse dinheiro?

Ficaram muitas perguntas: por que ganha essa mesada? Quem paga? Haverá retribuição financeira ou de outra ordem? Legislação, por exemplo?

Quem eram os implicados? Um bilionário, dono de banco, dono de jatinhos e iates, que dá – ou dava – festas estravagantes em lugares luxuosos; que está preso, era quem pagava a mesada. Um senador “dono” de um partido que tentou passar uma legislação conveniente. Ambos envolvidos em repasses milionários para outro senador que, quando deputado em seu estado, condecorou um matador de aluguel de luxo relacionado ao tráfico. Deputado que tinha em seu gabinete alguém para extorquir salário de servidores do próprio gabinete. Também dono de mansões. E quer ser presidente da República.

Mas a coisa se complicou ainda mais. Quarta-feira surgiu um áudio do senador candidato ao banqueiro presidiário exigindo certa quantia supostamente para financiar um filme que seria útil na campanha eleitoral. A Polícia Federal foi atrás e descobriu uma organização envolvendo muita gente. Inclusive o pai do banqueiro e dois braços da quadrilha que pai e filho comandavam (comandam?). A “turma” composta até por pessoas da própria polícia, encarregada das ações pesadas, mesmo do “trabalho sujo”. E “os meninos” encarregados da parte eletrônica, como espionar pessoas, ameaçar, derrubar credibilidades etc.

Tudo está nas notícias. Mas será suficiente para abrir os olhos da população que ainda acredita e vota nessa gente? População pobre, remediada ou classe média, que nem tem noção das somas de milhões ou bilhões. Que costuma votar na direita, achando que assim vai limpar o Brasil da corrupção?

Temos eleições neste ano. Vamos continuar votando em quem zomba do povo enquanto se locupleta com somas elevadíssimas, fruto das maiores roubalheiras? É verdade que fazem discursos bonitos, narrativas bem alinhavadas, mas com o sentido de esconder o que realmente acontece. Você acredita? Concorda com isso?

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com