o amor que a gente não sabe nomear

nem todo amor cabe em definições, datas comemorativas ou fotos compartilhadas. há afetos que vivem entre os rótulos, permanecem na memória e continuam existindo mesmo quando não encontram um nome para si.

enrico pierro

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9 de Junho

tem amores que não cabem em nenhuma caixa. não são namoro, não são amizade, não são só aquela coisa passageira que a gente tenta convencer a si mesmo que foi. são aqueles amores que ficam numa zona indefinida, sem nome, sem protocolo, sem manual de instruções.

e o dia dos namorados chega todo ano e a gente fica sem saber muito bem o que fazer com eles.

porque o mundo celebra o amor que tem testemunha, que tem data no calendário, que tem foto no instagram com legenda emotiva. mas e o amor que ficou pela metade? o que terminou antes de começar? o amigo que é mais que amigo mas nenhum dos dois tem coragem de falar? o afeto que você sente por alguém que já foi embora mas ainda ocupa espaço?

esses amores existem. e são tão reais quanto qualquer outro.

amar é muito mais amplo do que a gente aprendeu. cabe o amor que dói, o que ri, o que fica em silêncio, o que não tem nome e mesmo assim não vai embora. cabe o amor próprio que ainda está em construção. cabe a saudade de quem ainda está vivo mas distante.

neste doze de junho, eu quero celebrar todos esses amores que a gente carrega sem saber muito bem como chamar. porque eles também merecem uma data. mesmo que a gente ainda não tenha inventado uma pra eles.

enrico pierro
@enricopierroofc (Instagram, TikTok, X e Threads) e em seu blog: https://enricopierro.com.br/
escreve semanalmente para mais de 40 jornais e portais pelo brasil. seus textos também estão disponíveis nas redes sociais, onde compartilha reflexões sobre o cotidiano, sentimentos e humanidade.

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