Houve um tempo em que o roteiro da vida profissional parecia desenhado em pedra: você escolhia uma profissão, cursava uma faculdade, absorvia aquele conhecimento e o utilizava, com poucas alterações, até a aposentadoria. Hoje, esse modelo caiu. Com o avanço avassalador das soluções digitais e a velocidade com que sistemas e programas são atualizados, o comportamento humano teve de se transformar. O perfil profissional de destaque agora exige flexibilidade mental e dinamismo para absorver novas informações e executá-las em tempo recorde.
Como bem aponta o historiador Yuval Noah Harari, a habilidade mais importante para o século XXI não é saber codificar ou falar um idioma específico, mas sim a resiliência mental e a capacidade de se reinventar repetidamente. Segundo Harari, para sobreviver e prosperar neste novo mundo, precisaremos da capacidade de aprender e, acima de tudo, de desaprender para aprender de novo.
Essa flexibilidade não surge do nada; ela precisa ser praticada no cotidiano através de novos hábitos. Estimular o cérebro é extremamente saudável.
Podemos fazer isso ao aprender um instrumento musical, ao iniciar um exercício físico diferente ou, o mais desafiador, ao acrescentar novos pensamentos à nossa rotina.
A neurociência revela um dado impressionante: cerca de 90 % dos pensamentos que temos hoje são exatamente os mesmos de ontem. Repetimos padrões mentais de forma automática. É aqui que entra a Psicocibernética, conceito consagrado pelo cirurgião Maxwell Maltz. Ele demonstrou que o nosso cérebro funciona como um mecanismo de busca de metas. Ao observar conscientemente o que pensamos, podemos ajustar nossa autoimagem e “reprogramar” a forma como reagimos aos acontecimentos. Mudar o pensamento é mudar o destino, um passo essencial para a nossa evolução espiritual e humana nesta jornada na Terra.
No fim das contas, a tecnologia mais complexa que você gerenciará na vida não está no celular ou no computador. O seu cérebro é o projeto mais importante em que você deve trabalhar. Nós somos o projeto principal. Somos, ao mesmo tempo, os gestores que planejam e os operadores que executam a própria existência. Aprender a aprender é, antes de tudo, o ato de amor de assumir o controle da própria evolução.