Estudo feito pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de São Caetano do Sul, com dados do SPC Brasil e apoio da Agência de Desenvolvimento Econômico Grande ABC, apontam crescimento da inadimplência na região nos últimos 12 meses. Além disso, o estudo também sinaliza queda nas dívidas bancárias.
Em junho de 2026, o número de consumidores inadimplentes residentes no Grande ABC aumentou 8,33% em relação ao mesmo período do ano anterior, resultado superior às médias do Sudeste (6,43%) e do Brasil (7,55%). Na comparação mensal, entre maio e junho, houve queda de 0,97% no número de devedores.
O levantamento mostra ainda que o número de dívidas em atraso cresceu 15,74% na comparação anual, acima das médias regional (12,48%) e nacional (13,32%). Em junho, cada consumidor inadimplente possuía, em média, 2,45 dívidas em atraso, com valor médio total de R$ 5.889,06. Cerca de 38,69% dos consumidores negativados tinham dívidas de até R$ 1 mil.
O perfil dos inadimplentes mostra maior concentração entre pessoas de 50 a 64 anos, que representam 24,70% do total. A distribuição por gênero permanece equilibrada, com 50,66% de mulheres e 49,34% de homens. O tempo médio de atraso das dívidas chega a 29,5 meses, sendo que 33,92% dos consumidores permanecem inadimplentes entre um e três anos.
Entre os setores credores, os bancos concentram 66,47% das dívidas em atraso na região. Já as dívidas relacionadas à água e luz representam 17% do total, percentual que chama atenção pelo impacto do custo de serviços essenciais no orçamento das famílias.
Segundo o presidente da CDL São Caetano do Sul, Alexandre Damásio, o Grande ABC apresenta um perfil específico de inadimplente, marcado pela presença de pessoas com emprego e renda. “No Grande ABC temos um perfil de devedor diferente: é o devedor com emprego e renda. Esse perfil de inadimplente escolhe o que pagar e, na esteira do Desenrola 2.0, os credores terão que propor novas condições de pagamento para atrair a atenção desse consumidor”, afirmou.
Para Damásio, a redução da participação das dívidas bancárias em relação ao histórico da região pode indicar efeitos positivos do programa de renegociação de dívidas. “Outro dado interessante é que o percentual de dívidas bancárias está abaixo do perfil histórico e essa queda pode ser reflexo do Desenrola 2.0. Por outro lado, preocupa o aumento da inadimplência de luz e água, que sinaliza a baixa remuneração dos empregos do Grande ABC em comparação com o custo de vida”, destacou.
O presidente da Agência, Aroaldo Silva, ressaltou que os dados mostram a necessidade de acompanhar o cenário econômico regional e seus impactos sobre as famílias e o consumo. “A inadimplência é um indicador importante para compreender a dinâmica econômica da região. Mesmo com um mercado de trabalho aquecido, o comprometimento da renda com crédito, serviços essenciais e custo de vida influencia diretamente a capacidade de consumo das famílias”, afirmou.