Imagine a cena: você entra em um café para um compromisso de vinte minutos. Ao lado, encontra um conhecido que engata um monólogo inflamado sobre problemas dos quais você nem faz parte. Por educação, você balança a cabeça e dá atenção. Isso pode acontecer no trabalho, com vizinhos e com pessoas com quem esbarramos no dia a dia. Um tempo depois, você sente um cansaço mental e até uma fadiga física – como se tivesse carregado pedras.
Para onde foi a sua força?
A neurobiologia nos mostra que a nossa atenção é uma moeda de troca bioquímica real. O cérebro humano é uma usina bioenergética faminta que consome cerca de 25% de toda a glicose e do oxigênio que o corpo produz. A cada segundo, as suas mitocôndrias sintetizam e queimam bilhões de moléculas de ATP (adenosina trifosfato) – a moeda energética da célula – para manter seus circuitos neurais acesos.
Há três ou quatro anos, os modelos de I.A. trabalhavam com janelas de memória curtíssimas. Se recebessem informação demais, o sistema travava. Hoje, as I.A.s conseguem processar volumes gigantescos de dados em milissegundos. Traçando um paralelo com a tecnologia vital do nosso corpo, podemos processar e acumular informações mais rápido do que em qualquer outro momento da história humana. Mas será que estamos utilizando nosso “superpoder” para construir algo ou estamos desperdiçando-o?
Onde você coloca a sua atenção é onde a sua usina celular vai trabalhar.
Faça um exercício de retrospectiva sobre o seu dia hoje. À noite, no banho, pense: para onde foi a sua atenção? Com quantas pessoas você conversou? Sobre o que conversaram? E, mais importante: qual foi o preço dessa conversa? Me refiro ao quanto da sua presença você “pagou” por esse diálogo e o que ele te trouxe de retorno. O equilíbrio deve ser o resultado.
Quando entregamos nossa presença para outras pessoas, esse “pagamento” vem acompanhado de algo bom, proveitoso e somatório, ou vem de alguém que apenas projeta suas próprias sombras na conversa? Se a resposta for a segunda opção, você está desperdiçando sua bioquímica vital – aquela energia que poderia ser bem armazenada para ser gasta à noite dentro de casa, com seus filhos, seu cônjuge ou com você mesmo.
À noite, a bateria geralmente está baixa, e nós sabemos disso. É exatamente por isso que este texto está sendo escrito para você. Assim como um carro de Fórmula 1 precisa poupar os pneus para chegar ao fim da corrida com alta performance, nós temos a opção de economizar nossa energia ao longo do dia para finalizá-lo ainda com presença.
No fundo, vemos uma sociedade sedenta por algo que nem ela sabe nomear. E se, com o que resta de energia, ainda depositamos nossa presença no fluxo infinito das redes sociais, o que estamos buscando na verdade?
Nenhuma escola ensina a regra de ouro do universo: ser completo de si é o primeiro e mais importante passo da jornada.
Sua atenção é a sua vida em estado bruto. Não a entregue como esmola para o ruído do mundo.
Ao final do dia, repare na sua bateria interna e pergunte-se:
Sua energia vital foi investida na construção da sua presença ou desperdiçada no processamento dos outros?