É um livro maravilhoso pra quem gosta de papos profundos sobre a vida. A narrativa nos traz a história de uma onça, chamada Iauaretê. É uma onça-rei e que por magia de Tupã, de noite vira gente e de dia bicho, uma onça pintada. A história é contada em várias histórias, que são as fábulas, de um jeito bem interessante. Tudo acontece numa sequência analógica, orgânica. As histórias/fábulas vão surgindo como se fossem tecidas ou formando uma bela trança. Cada uma tem começo meio e fim, parece não ter relação uma com a outra, mas no final se percebe que formam uma sequência a contar uma história só, assim surgem as aventuras da onça/gente, que se casa com uma bela indiazinha chamada Kamakuã. Desta união nascem Juruá, que tornou-se um excelente caçador e Iauretê-mirim, um grande canoeiro.
O livro tem inicio com a onça/gente caindo em uma armadilha e vendo-se prestes a morrer pelos caçadores, passa a ter lembranças de sua vida inteira e desta forma o leitor mergulha nestas lembranças e a história é tecida. Tudo é muito intenso, belo e de grande sabedoria.
Estas fábulas indígenas são trazidas por Kaká Werá Jecupé, indígena de origem tapuia, escritor, ambientalista, conferencista; fundador do Instituto Arapoty, organização voltada para a difusão dos valores sagrados e éticos da cultura indígena. As ilustrações são desenhos de sua filha Sawara, quando tinha 11 anos.
Este é um belo livro, indispensável para uma boa biblioteca.