São Caetano do Sul registrou 1194 empregos com carteira assinada no mês de julho, segundo dados do novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED), divulgados na última quarta-feira (27) pelo Ministério do Trabalho e Emprego.
Os dados foram organizados e analisados por Bruno Castro, professor de gestão do Centro Paula Souza e pesquisador convidado do Observatório de Políticas Públicas, Empreendedorismo e Conjuntura da USCS.
A pesquisa de monitoramento do mercado de trabalho formal na cidade de São Caetano do Sul serve como um termômetro para compreender o perfil e a dinâmica das admissões e demissões dos respectivos setores econômicos no município, sendo essencial para orientar políticas públicas, investimentos privados e estratégias de desenvolvimento na cidade, comenta o professor.
O setor de Serviços foi o único setor econômico a registrar saldo positivo de empregos com carteira assinada na cidade, com saldo líquido de 1.399 vínculos formais. As vagas concentram-se em auxiliares e assistentes administrativos. A rotatividade do setor é de 15,9 meses.
O setor da Indústria apresentou retração com uma perda líquida de 37 postos de trabalho. O setor apresenta o menor índice de rotatividade entre os setores (55,5 meses), o que pode ser explicado por maiores salários e melhores pacotes de benefícios, explica o professor.
O setor do Comércio apresentou retração com uma perda líquida de 47 postos de trabalho. O setor apresenta o segundo maior índice de rotatividade entre os setores (19,3 meses).
O setor da Construção apresentou a maior retração entre os setores econômicos, com uma perda líquida de 125 postos de trabalho. A rotatividade do setor é de 22,3 meses.
No saldo por sexo, a criação de empregos formais foi impulsionada predominantemente pela mão de obra feminina. As mulheres responderam por um saldo líquido de 928 postos de trabalho, o que representa 77,7% do total dos empregos gerados no mês. Os homens também tiveram um resultado positivo, mas moderado, com um saldo de 266.
No saldo por escolaridade, o grau de ensino médio completo foi o principal motor da empregabilidade no mês de julho, com um saldo expressivo de 1.252.
Já o ensino superior apresentou uma destruição de 36 vagas.
No saldo por faixa etária, a juventude continua sendo o principal vetor do crescimento. O dado proeminente é a massiva concentração de vagas na faixa de 18 a 24 anos, que registrou um saldo líquido de 781 empregos. Sozinho, este grupo respondeu por aproximadamente 65% de toda a geração de vagas na cidade em julho. Expandindo a análise, a população jovem (até 29 anos) acumulou um saldo de 979 vagas, o que representa 82% do total de empregos criados.
No acumulado do primeiro semestre, foram registradas uma criação líquida de 2.849 vagas de novos empregos formais, resultando em um aumento de 2,33% no número total de postos de trabalho na cidade. Considerando os últimos 12 meses (agosto de 2024 a julho de 2025), o saldo é de 1.676.
Na comparação com julho de 2024, houve um crescimento de 304,7% na geração de novos postos de trabalho formais, 899 a mais em números absolutos.
“A euforia com o saldo positivo esconde uma armadilha. O que vemos não é um sinal de pujança, mas a consolidação de uma estrutura produtiva de baixa complexidade, que absorve trabalho pouco qualificado e descarta capital humano com formação superior. Este é o retrato de um crescimento que não gera desenvolvimento real; é a atividade econômica pela atividade, sem sofisticação produtiva. A questão de fundo permanece: que futuro estamos construindo?”, enfatiza o professor Bruno Castro.
