Redação
O empresário de São Caetano do Sul, Mauricio Pirchio, denunciou ter sido alvo de uma sofisticada tentativa de extorsão arquitetada por sua ex-esposa, Lucia Revilla, e pela advogada Edimara Novembrino Ernandes. Segundo a denúncia, as duas teriam recorrido a crimes como fraude processual, denunciação caluniosa e uso indevido de medida protetiva para pressioná-lo a aceitar um acordo milionário de partilha de bens.
De acordo com os boletins de ocorrência, a manobra consistia em fabricar provas e manipular documentos: áudios, vídeos e mensagens de aplicativos teriam sido editados para criar uma narrativa falsa de agressões e ameaças.
Esses materiais foram então inseridos em ações judiciais com o objetivo de fundamentar o pedido de medida protetiva.
Uma dessas medidas, apontada como sem qualquer respaldo fático ou técnico, teria sido utilizada de forma criminosa como instrumento de coação: caso o empresário não aceitasse os termos de um acordo financeiro, seguiria sofrendo restrições judiciais, acusações sucessivas e desgaste de sua imagem pública.
A denúncia também destaca o uso irregular de um relatório psiquiátrico, supostamente manipulado, para reforçar pedidos da ex-esposa. Para a defesa do empresário, tratou-se de uma tentativa deliberada de induzir o Judiciário a erro, caracterizando fraude processual e denunciação caluniosa.
Rede de ações e pressões sucessivas
Entre julho e novembro de 2023, o empresário registrou mais de uma dezena de boletins de ocorrência relatando episódios de ameaça, perseguição, tentativa de coação e extorsão. Em todos, foram anexados prints de conversas, e-mails, registros telefônicos e cópias de documentos que, segundo ele, comprovam a existência de um plano reiterado de extorsão.
Disputa patrimonial como pano de fundo
No campo patrimonial, a estratégia teria incluído a tentativa de convencer a Justiça de que o casamento ocorreu sob o regime de comunhão parcial de bens, o que ampliaria os direitos da ex-esposa sobre os bens adquiridos. No entanto, documentos apresentados comprovam que o regime adotado foi o de separação total e absoluta de bens, afastando qualquer possibilidade de partilha.
Para especialistas ouvidos pela reportagem, esse tipo de manobra caracteriza litigância de má-fé, pois visa alterar deliberadamente a verdade dos fatos para obter vantagens indevidas.
Denúncia no Ministério Público
As investigações avançaram, e tanto Lucia Revilla quanto Edimara Novembrino Ernandes já se encontram denunciadas formalmente pelo Ministério Público. A lista de crimes atribuídos às duas é extensa e inclui: Calúnia, injúria. difamação. denunciação caluniosa, extorsão, falso testemunho e ameaça.
As penas para estes crimes podem ultrapassar a 20 anos de cadeia.
Segundo fontes ligadas ao caso, a conduta da advogada também resultou em processos disciplinares no âmbito da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em razão da gravidade das acusações e da utilização do direito como instrumento de intimidação para uma tentativa de extorsão.
Investigação em curso
O caso segue sob análise das autoridades, mas já levanta debates sobre o uso criminoso de instrumentos legais, como medidas protetivas, que deveriam servir à proteção de vítimas de violência, mas que neste caso estariam sendo instrumentalizadas para fins ilícitos e de pressão financeira.
Para o empresário, trata-se de um “golpe arquitetado” que expõe como brechas no sistema podem ser exploradas para fins escusos, colocando em risco não apenas indivíduos, mas a própria credibilidade da Justiça.