Soberania e Paz

No Natal e Ano Novo, nos saudamos efusivamente com votos de paz. Saúde e Paz. Felicidade e Paz. Prosperidade e Paz. Paz sempre presente. Porém, já no terceiro dia do ano novo, a guerra se apresenta a nós com toda a sua crueza no ataque dos Estados Unidos à Venezuela. E muitos que falaram de paz em suas mensagens, louvaram esse acontecimento.

Vários motivos para essa invasão foram alegados por comentaristas internacionais. Alguns dos mais importantes dentre eles foram: o controle das maiores reservas de petróleo do mundo pelos Estados Unidos; as negociações de petróleo entre Venezuela e China em yuans, fora dos acordos de 1974 de que o petróleo no mundo passaria pelo dólar norte-americano, que criaram a expressão petrodólares e autorizaram os Estados Unidos a emitirem sua moeda sem limites, provocando desequilíbrio nos negócios internacionais; busca de um inimigo externo aos Estados Unidos que devolvesse popularidade a seu presidente; Venezuela como polo mais vulnerável na América Latina. Só não foi levada a sério a alegação do presidente norte-americano de prisão de um narcotraficante pois não há comprovação disso, embora assim esteja sendo julgado. Nem se falou em democracia.

Porém esse episódio está sendo repudiado ou tomado com reservas pela comunidade internacional, por abrir um precedente perigoso de invasão de outros países. Ameaças já foram retomadas em relação à Groenlândia e mesmo à Colômbia e a outros países latino-americanos.

É a pá de cal nos acordos para funcionamento do mundo estabelecidos no final da Segunda Guerra Mundial. Fica vigente a força bruta e voltamos ao colonialismo puro do século XIX.

Particularmente para a América Latina e o Brasil essa é uma situação explosiva. A chamada Doutrina Monroe II, dessa região puramente como quintal dos Estados Unidos, ameaça a todos.

Em meio a tudo isso, precisamos prestar atenção a setores da direita e extrema-direita brasileira que não só saudaram a iniciativa do governo Trump, como invocaram que o mesmo acontecesse no nosso país. “A paz? Ora a paz!” Soberania nacional para eles, é uma palavra vazia. Sem contar os sacrifícios que significariam para o povo. Temos que repudiar frontalmente tal atitude. Neste momento importa que se efetivem os votos de paz feitos no período das festas. Precisamos estar engajados na defesa da paz.

E é muito importante que nas eleições deste ano este assunto seja levado em conta. Não vamos votar em quem, travestido de defesa do Brasil, invoca a intervenção de outro país.

Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com