Democracia

O grande desafio nas próximas eleições continua sendo a defesa da democracia. Hoje não está no horizonte uma tomada brusca do poder pelas forças de direita, embora elas sempre tenham essa tentação. Seu projeto é a formação de uma grande bancada de deputados federais e principalmente de senadores e a partir daí exercerem o controle do Executivo e do STF com impeachment de alguns membros e substituição por ministros aliados. E assumir o executivo mais adiante.

Um fator de risco para que isso aconteça, é que parte considerável da população vê o autoritarismo como possível solução a seus problemas. Uma população cultivada pelos meios de comunicação controlados pelos grandes capitalistas, com a falta de memória histórica e de senso crítico, não lembra dos grandes problemas que resultaram da ditadura, como a crise dos anos 1980, a década perdida, e o aprofundamento da distância entre ricos e pobres.

Autoritarismo não é solução. Por isso somos chamados enfaticamente a votar no campo democrático, de centro esquerda e de esquerda.

Porém, é possível que essa opção não se demonstre muito atrativa a parte da população que não é estritamente de direita, mas que flutua entre a neutralidade, a direita e a esquerda. E essa parcela é que pode fazer pender o pêndulo para um ou outro lado.

O que explica isso? É possível que mesmo com os avanços do governo Lula, como a melhoria nas condições de vida ou o aumento em 3% no consumo de alimentos em 2025, não seja sentido pela população como diferencial. Por isso torna-se necessário aprofundar a democracia e não atenuá-la ainda mais, com conchavos com o centrão e a direita.

É necessário passarmos da democracia apenas formal, ou neoliberal, a uma efetiva democratização, com mudanças estruturais profundas no país.

Reforma agrária efetiva; prioridade às pequenas propriedades e à agroecologia para produção e barateamento dos preços dos alimentos em detrimento do agro, que só produz para a exportação e concentração do capital; mudanças profundas no setor financeiro estancando a sangria do pagamento de juros ao grande capital; reversão do modelo agroexportador à industrialização com geração de empregos; reforma profunda na educação; aprofundamento das melhorias no SUS e na área da saúde, são alguns exemplos.

Isso só se consegue com um projeto de país, capaz de sintonizar com as necessidades mais profundas da população e aglutinar forças para implementá-lo. Precisamos uma democracia com mudanças estruturais ao invés do simples jogo eleitoreiro.

Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com