Imperialismo

Após o sequestro ilegal do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro – uma flagrante violação da soberania de um país independente – e o aumento das ameaças de anexação da Groenlândia por parte dos Estados Unidos, diversos analistas questionam se vivemos um momento de reorganização da ordem internacional.

Para explicar esse novo quadro, comentadores da grande mídia e acadêmicos alinhados à ordem resgataram um conceito que muitos consideravam ultrapassado e que os deixa claramente desconfortáveis: o imperialismo (alguns tentam rebatizá-lo como “neoimperialismo”). Diante do caráter flagrantemente agressivo das intervenções estadunidenses, torna-se impossível escamotear essa categoria fundamental.

No entanto, eles o fazem de maneira limitada e capenga, reduzindo o imperialismo apenas aos aspectos de agressão militar, conquista territorial e uso direto da força. Tratam-no como um fenômeno de origem essencialmente política, quase pessoal – um problema circunscrito à administração Trump, com seus desvarios e estilo histriônico -, negligenciando outros elementos estruturais fundamentais. Deixam de lado, também de forma proposital, que o período anterior já era imperialista, embora com características distintas.

Surpreende, por exemplo, ouvir estes analistas afirmarem que os EUA estão “jogando no lixo” a ordem internacional que eles mesmos construíram. Do ponto de vista da lógica imperialista estadunidense, isso faz sentido: mantida a configuração atual, o país caminha para uma trajetória de declínio inevitável.

A ordem que emergiu no pós-Guerra Fria consolidou uma hegemonia inconteste dos Estados Unidos nos campos econômico, político e ideológico. Naquele momento, o poder militar – embora sempre central – podia ser relegado a um “segundo plano”, devido às características específicas daquela conjuntura. O imperialismo se manifestava então por meio de uma forma de organização específica: o livre-comércio, os organismos “multilaterais”, a globalização financeira e a defesa da redução do papel dos Estados nacionais. Com seu imenso poder econômico, os EUA conseguiam impor seus interesses a praticamente todo o globo.

O quadro atual, porém, é distinto. Os Estados Unidos perdem, de maneira clara, a batalha econômica e tecnológica para a China comunista. A base de seu desenvolvimento – a industrialização – foi desmontada, e seu poderio econômico já não é suficiente para conter o avanço chinês. Por isso, alteram sua estratégia, adotando uma postura muito mais agressiva. Em primeiro lugar, buscam reafirmar de maneira inequívoca seu controle sobre a América Latina e submeter a Europa, sem meias-palavras. Em segundo, tentam arrastar a China para um conflito aberto.

Os Estados Unidos são um império em decadência, que agora ameaça arrastar o mundo inteiro para uma conflagração.

Max Marianek
Graduado em História
Funcionário Público