Por Dra. Bianca Pechinin
Médica Veterinária
Nesta última quinta-feira, 05 de fevereiro, São Caetano do Sul inaugurou a Casa Caramelo. Embora a revitalização de espaços públicos seja um desejo de todos, como médica veterinária, vejo com profunda preocupação quando a urgência em criar um “produto midiático” sobrepõe-se à responsabilidade com a segurança sanitária. O bem-estar animal não se consolida com fotos em redes sociais, mas com o cumprimento rigoroso de protocolos técnicos.
A Realidade por Trás da Fachada
Para que a Casa Caramelo entregue um serviço de excelência, é urgente corrigir falhas que ignoram preceitos básicos da medicina veterinária e que colocam a unidade sob risco iminente de sanções:
Infectologia e Biossegurança: É tecnicamente inadmissível que um setor destinado ao isolamento de doenças transmissíveis possua piso de madeira. Superfícies porosas impossibilitam a desinfecção e favorecem a contaminação cruzada. O espaço não possui o básico que seria uma pia, sem infraestrutura lavável e pontos de assepsia, o ambiente torna-se um vetor de propagação de doenças.
O Trailer de Castração: A nova pintura não resolve problemas estruturais crônicos. O local deve estar em estrita conformidade com as normas de instalações cirúrgicas. Ignorar as exigências de reforma estrutural é uma escolha que prioriza o marketing em detrimento da segurança do paciente e do ato médico.
O Risco de Interdição
É preciso ser transparente com a população: a insistência em manter essas irregularidades estruturais expõe a Casa Caramelo ao risco real de interdição parcial ou total pelo Conselho Regional de Medicina Veterinária (CRMV/SP). O não cumprimento das normas técnicas vigentes não são apenas uma falha estética; é uma infração que pode resultar no fechamento desses serviços, prejudicando diretamente os animais que dependem desse atendimento e gerando um prejuízo incalculável à confiança pública.
Por uma Estratégia Real, não Eleitoral
A política pública de saúde animal deve ser perene. A Casa Caramelo tem potencial, mas corrigir esses gargalos não é uma opção; é uma obrigação legal. Nossos animais e os profissionais da saúde merecem respeito às normas técnicas e segurança, muito além de qualquer estratégia de propaganda.