Tempo de folia. Carnaval. “Tanto riso, oh quanta alegria!”, como diz Zé Keti. Tempo de relaxar, de pular, como se fizéssemos um breque na vida comum, para desfrutarmos um pouco da vida boa, fugindo da realidade, libertando fantasias. Para quem gosta é bom sim curtir, viver esse momento diferente. Claro que nem todos gostam ou podem. Mas, também é claro que para muitos é a continuidade da vida boa, talvez com mais liberalidade ou libertinagem.
Isso leva a pensar no sentido do Carnaval na cultura e na vida brasileira. O antropólogo Roberto Da Matta nos adverte que no Carnaval se processa uma inversão da realidade. Quem de fato tem poder é zuado, quem não tem poder vira rei ou rainha. A república vira império etc. Há nisso um sentido de crítica social, que alguns veem com potencial de despertar a consciência para a transformação da realidade.
A crítica social se revela também quando há a exaltação de posições ou de atores na chamada polarização política brasileira. Várias escolas de samba nos últimos anos homenagearam governos de esquerda ou a figura do atual presidente. São manifestações das classes populares e exploradas e seus apoiadores. Por isso também, há fortes reações por parte dos setores de direita contra essas homenagens.
Porém, não podemos esquecer que não há carnaval só no carnaval. Alguém já comparou muitos episódios da vida nacional a carnavais em que há revelação e ocultação, verso e reverso, fazendo que muitas coisas apareçam, mas no fim deem em nada.
É, por exemplo, o caso do escândalo das Lojas Americanas em que bilhões de reais foram desviados para grupos ou pessoas poderosas. Foi criada uma CPI. Mas deu em nada. Porém milhares de pessoas foram lesadas.
Em relação à fraude no IN SS, embora uma atuação efetiva do governo federal para salvar os prejudicados e uma CPI esteja em andamento, o risco é o mesmo. Agora há o caso do Banco Master. Interesses poderosos em jogo. Muita gente da elite enredada na teia de sustentação dos favorecimentos do sistema financeiro a esse crime, atuado para que fique por isso mesmo. Novamente, milhares de pessoas perdem suas economias.
São carnavais de alguns sustentados pela exploração do dinheiro de todos. Precisamos acabar com isso, para que outros não façam a folia às nossas custas. Mas é necessário que a consciência nacional se levante massivamente e não permita mais que coisas assim continuem.
É festa. É alegria. Façamos a folia. Mas não percamos a indignação contra certos carnavais das elites.
Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com