Aos fins de semana, sobretudo aos domingos, é comum ver carros antigos circulando pela cidade. De placa preta, eles pertencem a colecionadores que solicitaram ao Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo (Detran-SP) um reconhecimento pelo valor histórico de seus bem cuidados veículos, um hábito que vem se popularizando nos últimos anos. De 43.037 unidades em 2023, a frota de placas pretas do estado de São Paulo passou a 76.087 em fevereiro de 2026, um aumento de 43%, segundo números do Detran-SP. Apenas no ABC, são 4.466 veículos de colecionadores, com até 98 anos de vida ativa: 1.784 em Santo André, 1.720 em São Bernardo do Campo e 962 em São Caetano do Sul.
O carro mais antigo da região é um Buick Model 19 conversível, de 1910, um clássico do setor automotivo que está em São Bernardo. Santo André tem o segundo veículo mais antigo do ABC, um Chrysler de 1917. Mas o líder no gosto dos colecionadores do ABC é mesmo o popular Fusca, com 938 exemplares de placa preta no ABC, fabricados entre 1952 e 1995 – de uma frota de quase 17.000 em todo o estado. Um veículo, para ter a placa de coleção, deve possuir ao menos 30 anos.
Já o automóvel mais longevo do estado fica na capital: um exemplar da fabricante francesa De Dion-Bouton de 1902. Fundada pelo marquês Jules-Albert de Dion e por Georges Bouton, dos quais leva o nome, a indústria funcionou de 1883 a 1953. Os outros três veículos mais antigos são também da capital, todos de 1906. Dois são franceses, um Renault e um Peugeot, e outro é um norte-americano Cadillac. Ao todo, o estado de São Paulo possui 2,8 milhões de veículos fabricados até 1950 com valor histórico reconhecido.
Nova página
Além de um documento histórico “vivo”, um veículo que ostenta uma placa preta tem seu valor financeiro elevado. Obtê-la não é a tarefa mais fácil do mundo – veja aqui as regras –, mas o Detran-SP acaba de lançar uma página exclusiva para ajudar quem deseja obter o sonhado distintivo de colecionador para o carro.
O site é dedicado a veículos antigos de modo geral, e permite também a regularização de automóveis que ainda possuam a velha placa amarela de duas letras, e a emissão gratuita da Certidão de Veículo com Placa Amarela, documento usado para provar registro, propriedade e histórico da moto ou automóvel, e também na instrução de processos administrativos ou judiciais. A certidão tem o benefício adicional de dar suporte à regularização ou atualização cadastral e à transferência de propriedade.
A troca da placa amarela por uma do padrão atual, hoje o Mercosul, é obrigatória, se o proprietário tiver o interesse em circular com o veículo. Um veículo flagrado na rua com a placa de duas letras será recolhido a um pátio, já que não é registrado na base do Detran-SP. Quem possui um veículo de placa amarela, por vezes herdado de parente, e tem interesse em rodar pelas vias, deve regularizá-lo. Mas regularizar é simples: basta fazer uma solicitação pela nova página e seguir o passo a passo.