Dia do Trabalhador

“O ser humano faz o trabalho e o trabalho faz o ser humano”. Essa afirmação pode parecer estranha nas condições de trabalho de hoje. Porém, pensando nos primórdios da humanidade ela revela todo seu sentido.

O trabalho principal era, e em algum sentido ainda é, garantir a sobrevivência. Nas condições inóspitas de então, precisava conseguir alimentação e abrigo diante das intempéries e da ameaça de outros animais.

Dois elementos foram essenciais para vencer esses desafios: desenvolver a articulação da mão e do polegar opositor e aperfeiçoar a inteligência. Ambos ao longo de milhares de anos.

Aos poucos a mão de primata vai conseguindo a correspondência entre a intenção de fazer algo e a capacidade de fazê-lo, mediante o desenvolvimento de nervos e músculos e a articulação dos dedos. A inteligência vai se aperfeiçoando pela experimentação, tentativa e erro e conquista de resultados. A partir daí ao longo de milênios o primata primitivo vai se tornando o ser humano atual.

Vinícius de Morais, no poema O Operário em Construção, expressa isso: “o operário faz a coisa e a coisa faz o operário”. “certo dia / à mesa, ao cortar o pão / o operário foi tomado / de uma súbita emoção / ao constatar assombrado / que tudo naquela mesa [ … ] era ele quem o fazia / um humilde operário / que sabia / exercer a profissão” [ … ] “O operário emocionado / olhou sua própria mão” [ … ] “e olhando bem para ela / teve um segundo a impressão / de que não havia no mundo / coisa que fosse mais bela”.

Ao longo da história, houve várias revoluções no mundo do trabalho. As principais: quando surgiu a propriedade privada. Aí os mais fortes submetiam os mais fracos a trabalharem para eles. Separou o trabalhador do resultado do trabalho. Agora trabalhava para o “patrão” e recebia apenas para sua subsistência. E a outra, na revolução industrial: o trabalho foi fragmentado. O trabalhador faz pequena parte do trabalho coletivo e muitas vezes nem sabe o que será o produto final.

O resultado foi que o trabalho deixou de ser algo que eleva o ser humano e se torna uma espécie de prisão em vista da sobrevivência.

Mas historicamente os trabalhadores sempre se revoltaram contra essas condições. No mundo capitalista uma das principais lutas foi em relação à jornada de trabalho.

Atualmente no Brasil a luta é pelo fim da jornada 6/1 para que o trabalhador recupere um pouco sua dignidade de vida. Almejamos o dia em que os meios de produção deixem de ser privados e passem a ser propriedade coletiva de quem trabalha.

Luiz Eduardo prates

Luiz Eduardo prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com