Mudanças de Cenários

Dizia Ulisses Guimarães que a política é como as nuvens. Você olha e estão de um jeito. Olha de novo e já mudaram. Nas duas últimas semanas foi assim. Quarta e quinta-feira da semana passada as votações no Congresso Nacional decretaram, para alguns, o fim do governo Lula. Nessa semana, a novidade: encontro como presidente Trump, meio de surpresa.

O veto no Congresso a Jorge Messias se configurou como uma derrota para o governo porque há mais de século um indicado ao STF não era rejeitado. Foi o Senado, puxado pelo centrão, dizendo nas entrelinhas que deve ter parte na indicação, o que é prerrogativa exclusiva do Presidente.

Na quinta-feira, a derrubada do veto ao Projeto de Lei da Dosimetria das Penas significou, na prática, o Legislativo se colocando em posição superior ao Judiciário. O STF tornando-se refém do Congresso Nacional.

Comemoradas pela oposição como vitórias sobre o governo foram, na verdade segundo especialistas, derrotas para o país. Demonstraram a intensão não declarada do Congresso subordinar o Executivo e o Judiciário, com a potencialidade de instaurar uma crise institucional sem precedentes. E acenam com a possibilidade das forças de direita e extrema direita, por meio do Congresso, retomarem o intento golpista derrotado em 08 de janeiro.

Há ainda que se investigar conchavos para essas votações, pois ao que tudo indica, foram regadas por rompimentos de acordos e traições envolvendo até setores da esquerda. Um dos motivos teria sido as investigações sobre o Banco Master.

Porém levantam o alerta aos setores democráticos sobre importância das eleições deste ano. Vamos eleger Deputados e Senadores afinados com o projeto golpista de volta de uma ditadura disfarçada ou vamos cerrar fileiras para eleger parlamentares comprometidos com a democracia e a normalidade democrática?

Quanto a reunião com Trump, anteriormente grandes expectativas. Medo de um lado, torcida de outro. Medo que Lula fosse humilhado ou até preso, como aconteceu com Maduro. Mas teve quem viu nisso a chance de demonstração que o presidente não está preparado para um diálogo com os EEUU e, portanto, a direita e extrema direita tem que ganhar as eleições.

Não foi o que ocorreu. A reunião foi respeitosa, muito mais extensa do que o esperado e, para o desespero de quem torcia contra, Lula saiu muito maior do que entrou.

“Ops! Nem deu pra falar de Ciro Nogueira”. Fica pra depois.

De derrotado por antecipação, o Presidente sai mais fortalecido e com reconhecimento nacional e internacional.

Luiz Eduardo prates

Luiz Eduardo prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com