Nunca mais!

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

23 de Maio

Tivemos recentemente vários fatos relativos à ditadura militar. Um deles é o relatório à Comissão sobre Mortos e Desaparecidos Políticos afirmando que o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi assassinado pela ditadura. Relatório de um órgão oficial de Estado, com o peso de revisão da história, que terá desdobramentos.

Existe uma relação indissociável entre o ABC paulista e o ex-presidente. A pujança econômica desta região deve-se à iniciativa de Juscelino Kubitschek em instalar aqui as fábricas automotivas, com toda sua cadeia de insumos e derivados. O ABC atraiu trabalhadores de todo o Brasil e tornou-se o maior polo econômico do país. Pesa sobre esse assassinato uma culpa permanente que recai sobre os militares golpistas. O ABC não pode calar.

Soma-se a isso o documentário Bandidos de Farda, veiculado pelo Instituto Conhecimento Liberta, no youtube. Foi revelado, em primeira mão, um lote de documentos de mais de três mil páginas, com registros de autoria dos próprios militares envolvidos, narrando com detalhes perseguições, torturas – incluindo estupros, mortes e desaparecimentos de cidadãos e cidadãs brasileiros. Os maiores horrores.

São documentos oficiais do exército que foram recolhidos à sua própria casa por um militar de alta patente. Uma fonte anônima, após o falecimento desse militar, resolveu trazê-los a público.

Apenas isso seria suficiente para nos posicionarmos como Ulisses Guimarães ao promulgar a Constituição: “Temos ódio à ditadura! Ódio e nojo!”. Mas sabemos, infelizmente há muito mais.

É, portanto, mais que justificada a Campanha Ditadura Nunca Mais que moveu uma Ação Popular, pelo advogado Dr. Jaime Castiglione, com o objetivo de varrer do mapa de São Bernardo do Campo nomes ligados esse período nefasto, como Av. 31 de março, dia do golpe militar e Avenida Humberto de Alencar Castelo Branco, o primeiro ditador presidente.

Soma-se na ação a Vila Mussolini, alusão ao criador do fascismo, inspiração e companheiro de Adolf Hitler, que levou à morte na 2ª Guerra Mundial milhões de pessoas, inclusive brasileiros que lutavam na Itália.

A ação foi acatada pelo Tribunal de Justiça de São Paulo que determinou à Prefeitura um prazo de 180 dias para a troca dos nomes. Até o momento, nenhuma iniciativa foi tomada nesse sentido, sendo que o prazo finda em 27 de maio.

Em decorrência disso, a Campanha está promovendo um abaixo-assinado para pressionar esse órgão público a cumprir a sentença, acesse: https://c.org/TGKBJX49hQ. Participe você também: acesse @campanha.ditadura.nunca.mais no Instagram.

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com