A Transformação de Mauá com a inauguração do Polo Petroquímico de Capuava

O Grande ABC vem evoluindo a há décadas, e ainda é considerado um dos principais motores econômicos do país, abrangendo sete municípios tais como: Santo André, São Bernardo, São Caetano, Diadema, Mauá, Ribeirão Pires e Rio Grande da Serra em menor escala.

Isso tendo acontecido no início da década de 30, com a industrialização e a vinda das grande montadoras para a região, General Motors para São Caetano, bem como a Volkswagem, Ford, Mercedes Bens para São Bernardo, daí se alastrando para outras cidades.

Já a década de 1950 marcou um ponto de virada para Mauá. Em meio ao seu processo de emancipação política, uma obra de grande impacto começava a ganhar forma: a Refinaria de Capuava, então chamada Refinaria e Exploração de Petróleo União S/A, que entrou em operação em 1954. Ela nasceu praticamente isolada, cercada por áreas verdes e distante dos centros urbanos – um cenário difícil de imaginar quando olhamos para a região hoje.

Desde o início, a refinaria atraiu trabalhadores, oportunidades e uma movimentação inédita na cidade. Foram cerca de 700 empregos diretos logo na sua inauguração. As estruturas para construir o complexo chegaram pelos trilhos, e o transporte ferroviário se tornou parte fundamental da rotina da empresa – tanto para o escoamento dos primeiros produtos quanto para levar e trazer funcionários.

A localização não foi escolhida ao acaso. Capuava estava estrategicamente posicionada entre Santos e São Paulo, garantindo fluxo ágil para importação e distribuição. O petróleo subia a Serra, era processado em Mauá e seguia para abastecer a Capital. Nos primeiros anos, não era incomum trabalhadores encontrarem cobras entre os equipamentos – a região ainda era praticamente um “sertão industrial”.

Com o tempo, novas empresas começaram a se estabelecer ao redor da refinaria. Algumas delas forneciam insumos, outras eram diretamente dependentes de seus produtos. Foi assim que, a partir de 1968, se consolidou o Polo Petroquímico de Capuava, que completou 54 anos, um dos mais importantes do país, envolvendo grandes indústrias como Petroquímica União, Poliolefinas, Oxiteno e Polibrasil.

Apesar de boa parte dessas instalações estarem em território mauaense, a proximidade com Santo André gerou disputas fiscais que se arrastaram por décadas. Ainda assim, o impacto econômico e urbano em Mauá foi profundo: bairros cresceram, estradas surgiram, zonas industriais foram definidas – nem sempre de forma planejada – e a cidade passou a receber um fluxo constante de mão de obra, comércio e desenvolvimento.

Mas esse crescimento trouxe também desafios. A expansão desordenada e a proximidade entre indústrias e áreas residenciais deram origem a debates sobre poluição e planejamento urbano.

A história do Polo Petroquímico é, portanto, também a história da transformação industrial e política de Mauá: de uma cidade de características rurais para um dos centros industriais mais importantes do Grande ABC.

“A criação do Polo Petroquímico, na década de 1970, marcou um novo ciclo de desenvolvimento para o ABC Paulista, impulsionando a industrialização e fortalecendo a economia da região. A Unipar tem orgulho de fazer parte dessa história em Santo André, contribuindo para o desenvolvimento local com uma atuação responsável, baseada no diálogo e no crescimento sustentável.”