Quando o barato sai caro

Semana passada, tomei um café com o diretor de tecnologia de uma tradicional indústria metalúrgica de São Bernardo do Campo. O semblante dele carregava um peso, falava rapidamente e sem pausa, aflito. O motivo? Uma economia que, no papel, parecia a jogada do ano, mas que na prática virou um pesadelo operacional.

Há seis meses, a empresa precisava modernizar todo o seu sistema de gestão de estoque e integração com a cadeia de suprimentos. Tinham duas propostas na mesa: a de uma desenvolvedora consolidada, especialista no setor industrial e com um suporte local dedicado, e a de uma software house que prometia entregar “a mesma coisa” por menos da metade do preço. A diretoria não hesitou e escolheu a opção mais barata.

O resultado? O sistema caia justamente durante os picos de entregas para as montadoras da região. Quando precisavam de ajuda urgente, o atendimento funcionava apenas por tickets, e email, com prazo de resposta de até 48 horas.

Totalmente fora do esperado e prometido.

A “economia” inicial evaporou em poucos dias de instabilidade, multas por atraso e horas extras da equipe para refazer processos manualmente.

Histórias como essa se repetem diariamente no ecossistema corporativo.

O mercado está cheio de soluções baratas que vendem milagres, mas esquecem de entregar o principal: resultado, continuidade, estabilidade, suporte adequado.

Quando sua empresa for contratar uma solução tecnológica, o preço não pode ser o principal fator de decisão. Antes de olhar a etiqueta, avalie três pilares fundamentais:

1°) A ferramenta resolve, de fato, o seu problema real? Possui cases semelhantes no setor?

2°) O fornecedor é especialista no seu segmento?

3°) Existe suporte, acompanhamento e um roadmap futuro claro? Tecnologia evolui rapidamente. Se o fornecedor não tiver visão de futuro e uma equipe pronta para caminhar ao seu lado, o software se tornará obsoleto e com ‘gambiarras’

Em suma, sua empresa não precisa apenas de mais um fornecedor, ela precisa de um verdadeiro parceiro de negócios. Alguém sério, que entenda os desafios da sua operação e esteja pronto para resolver crises com agilidade.

No fundo, isso não se aplica apenas ao mundo dos negócios ou aos investimentos em TI. Assim como na vida, a regra é exatamente a mesma. Devemos nos cercar e nos conectar com quem realmente soma em nossa jornada, quem caminha e constrói em conjunto, como seus amigos pessoais, que geralmente são poucos e bons. Seja nos negócios ou nas relações pessoais, parceiros sérios são aqueles que escolhem crescer com a gente – e esse tipo de valor, dinheiro nenhum compra.

Cristopher Ferraz de Araujo

Cristopher Ferraz de Araujo

Head de Negócios e Parcerias Estratégicas em Fourbrazil tecnologia (fourbrazil.com)