O Sr. Shenuti Maat, cidadão com alto vigor mental, vivia uma relação de amor e ódio com seu computador. A máquina antiga tinha virtudes raras: uma rapidez invejável para processar tarefas e um software de fábrica brilhante, capaz de analisar dados e indicar com precisão qual era o melhor programa para cada projeto. Era a eficiência em pessoa. Em contrapartida, tinha dois defeitos: demorava uma eternidade para ligar e exigia paciência infinita para carregar a bateria.
Irritado com a demora diária para iniciar o expediente, Shenuti agiu pela emoção do momento. Decidiu encostar o velho companheiro, pensando em descartá-lo, e comprou uma máquina nova e reluzente.
O novo computador era um espetáculo visual: tinha um design charmoso, uma beleza impecável e uma facilidade absurda para abrir sites. Encantado com a novidade, Shenuti achou que havia feito o negócio da vida. No entanto, o cotidiano revelou os defeitos do novo sistema – a máquina sofria com apagões repentinos, travando do nada e voltando quando bem entendia. Pior: sofria de uma “amnésia” crônica, perdendo documentos e projetos inteiros que ele passava a noite escrevendo. Os arquivos às vezes sumiam e reapareciam do nada, testando os limites do seu juízo.
Diante do caos, Shenuti percebeu: ao focar apenas naquilo que o irritava na máquina antiga, ele ignorou totalmente as qualidades extraordinárias que tornavam sua rotina funcional. Sem saber qual dos dois computadores deveria escolher para ser seu parceiro de dia a dia, ele foi dormir com a mente inquieta.
Naquela mesma noite, teve um sonho marcante. Um sábio lhe apareceu e disse: “Para sair desse impasse, você deve criar um terceiro caminho. Responda a três perguntas para si mesmo: 1) O que é mais importante para mim ao longo da minha jornada? 2) Quais defeitos eu posso tolerar? 3) Quais qualidades me fazem verdadeiramente feliz?”
A partir daquela noite, Shenuti Maat decidiu e passou a observar tudo na vida com muito mais atenção – (P.S. esse texto não é sobre computadores).
Talvez os movimentos da vida exijam menos impulso e mais paciência para enxergar através dos ruídos diários. Na pressa do cotidiano ou na urgência de tudo, permitimos que pequenas imperfeições ofusquem a grandeza do que nos sustenta? Olhar para a nossa realidade com os olhos da alma é aprender a ponderar pesares e virtudes com a mesma paz. É desenvolver a nobre arte da tolerância e cultivar, no silêncio do mundo interior, uma postura de gratidão pelo que já é sólido e funcional. Antes de buscar a ilusão do novo ou a estética do reluzente, lembre-se: a verdadeira sabedoria não está em descartar o que falha, mas em saber desfrutar do milagre do que já dá certo.