Fast Track reduz pela metade o tempo de atendimento do Hospital Albert Sabin, em São Caetano

Tornar os atendimentos de Saúde mais rápidos, sem que isso signifique perda do padrão de qualidade, é um dos principais desafios dos gestores públicos do Brasil. Para enfrentar este cenário, a Prefeitura de São Caetano do Sul recorreu o Fast Track, linha ágil de atendimento para os pacientes não graves, que representam a maioria das pessoas. Um ano após ser implementado no Hospital Municipal de Emergências Albert Sabin, em 21 de agosto de 2025, o sistema apresenta resultados extremamente positivos.

De acordo com os relatórios produzidos na unidade, o Fast Track contribuiu para reduzir em 48,1% o tempo total de permanência de pacientes classificados com as cores verde (pouco urgente) e azul (não urgente). Isso significa que toda a jornada, da retirada da senha à alta (o que inclui triagem, abertura de ficha, consulta médica e, dependendo do caso, medicação) caiu de 2h40 para 1h23, em média, na comparação de julho de 2025 com julho de 2026.

Considerando picos de atendimento no pronto-socorro, a redução é ainda mais significativa. Em abril do ano passado, por exemplo, quando a demanda cresceu exponencialmente em virtude do aumento de casos de síndromes respiratórias, o tempo total da jornada do paciente foi de 8h21, quase 7h a mais do que o registrado pelo Fast Track em julho deste ano.

“Há um ano, a jornada do paciente no pronto-socorro podia chegar a oito horas, com um tempo médio de permanência de seis horas. O resultado do Fast Track mostra, na prática, o impacto de uma gestão que reorganiza processos, olha para toda a jornada do paciente e busca tornar o atendimento mais ágil e eficiente. Mais do que reduzir o tempo de espera, estamos oferecendo uma experiência de cuidado mais qualificada para quem precisa da nossa Saúde”, destaca a secretária municipal de Saúde.

“Conseguimos uma redução significativa do tempo de permanência do paciente. Mas tão importante quanto essa diminuição é a qualidade do atendimento, que também foi ampliada”, complementa a diretora clínica do Hospital Albert Sabin, Ludmila Martins de Souza Gatti.

Com o Fast Track, os pacientes sem gravidade que necessitam de acompanhamento são encaminhados para a continuidade do tratamento e avaliação da evolução dos casos em suas UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de referência, assegurando uma linha de atendimento resolutiva e que privilegia o cuidado.

Os casos de urgência e emergência seguem o fluxo normal, cujos atendimentos são prioritários.

Como funciona

É feita uma triagem inicial onde o enfermeiro classifica o risco. Pacientes classificados como verde ou azul são encaminhados para o Fast Track, uma área com consultórios e equipes específicas. Essa separação física e de equipe permite um atendimento mais rápido e focado.

Todo o processo de atendimento (triagem, avaliação médica e medicação) é realizado em uma linha contínua. Dessa forma, o paciente não retorna à recepção – o Fast Track possui saída própria.

Os pacientes atendidos pelo Fast Track são aqueles que durante a consulta de triagem foram identificados com quadro sem gravidade. Exemplos incluem resfriados comuns, diarreia leve, dores lombares baixas, tosse, infecções urinárias sem complicação, dor de cabeça leve, mialgia, mal-estar, náuseas e vômitos sem desidratação, e alergias não especificadas.

Reconhecimento

O Fast Track foi reconhecido como a melhor prática entre os 50 trabalhos inscritos em 2025 no concurso Feito pela Gente, iniciativa que busca dar visibilidade às inovações, boas práticas e projetos em desenvolvimento nas unidades gerenciadas pela Fundação do ABC.

O artigo “Fast Track HMEAS: Redefinindo a urgência – um projeto inovador para qualificar o cuidado e otimizar recursos”, detalha o projeto que reorganizou completamente o fluxo de pacientes de baixa complexidade no Hospital Albert Sabin

A banca do concurso destacou que, mais do que eficiência operacional, o Fast Track destaca-se por humanizar o cuidado, envolver equipes multiprofissionais na criação de soluções e dar voz aos usuários, por meio de pesquisas de satisfação. O modelo se mostrou sustentável, replicável e capaz de liberar recursos estratégicos da emergência tradicional, como leitos e tempo de profissionais, para o atendimento de casos mais graves.