A Prefeitura de São Bernardo, por meio da Secretaria de Saúde, realizou uma formação sobre os impactos da alimentação no desenvolvimento saudável das crianças, contemplando o período que vai dos 100 dias anteriores à concepção até os cinco anos de idade. A atividade integra o Programa de Educação Continuada da rede municipal de Saúde, promovido periodicamente pela Escola de Saúde, e reuniu 380 profissionais da Atenção Básica, entre médicos, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e outras categorias de nível superior.
Realizada em dois dias, no Teatro Cacilda Becker, a formação foi conduzida por nutricionistas especialistas em nutrição infantil, de uma empresa privada parceira. Entre os temas abordados estiveram os cuidados com a alimentação e o uso de suplementação, quando necessário, desde o período que antecede a concepção.
A médica de apoio do Departamento de Atenção Básica e Gestão do Cuidado, Dra. Giselle Creres, explicou que a iniciativa também ocorre no contexto da campanha Agosto Dourado, de incentivo à amamentação, destacando o leite materno como o primeiro e um dos mais importantes alimentos para o ser humano.
“Nosso objetivo é que os profissionais estejam sempre atualizados com relação às evidências científicas, para que, lá na ponta, durante a consulta na UBS (Unidade Básica de Saúde), tenham condições de ofertar o melhor cuidado à população”, destacou a médica.
Segundo Giselle, os cuidados podem começar antes mesmo da gestação. “Hoje, já sabemos que, desde antes da gravidez, é possível melhorar a alimentação e fazer suplementação, quando indicada, pensando no desenvolvimento do feto. Ao longo da vida, começando pelo aleitamento e passando pela introdução alimentar, existem estratégias que vão impactar positivamente o desenvolvimento das crianças, tanto no aspecto físico quanto no emocional e cognitivo”, completou.
Entre os desafios relacionados à introdução alimentar, a médica apontou a falta de informação qualificada por parte da população e a permanência de algumas crenças populares sem respaldo científico.
“Comer muito não significa comer bem. Mais importante do que a quantidade de alimento ingerido é a qualidade e a variedade. Os profissionais de saúde têm condições de orientar as famílias e contribuir para que todos tenham uma saúde adequada”, afirmou.
Residente do programa de Medicina de Família e Comunidade na UBS Vila Marchi, a enfermeira Elizabeth Salinas destacou a importância da formação para a atualização dos profissionais.
“Isso é primordial, principalmente para nós, enfermeiras, que atendemos as mulheres desde o planejamento familiar. Já podemos orientá-las para escolhas mais seguras antes mesmo da gestação, reforçar a importância do aleitamento materno exclusivo até o sexto mês e acompanhar o desenvolvimento dessa criança até os cinco anos”, finalizou.