Dia do Psicólogo destaca importância da Psico-Oncologia no cuidado de pacientes com câncer

O diagnóstico de câncer representa uma experiência que vai muito além dos aspectos físicos da doença. Medo, ansiedade, tristeza, insegurança, mudanças na rotina e preocupações relacionadas ao futuro podem fazer parte da experiência de pacientes e familiares. No Dia do Psicólogo, celebrado em 27 de agosto, a Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia (SBPO) chama atenção para a importância de incluir a saúde mental no cuidado de pessoas com câncer.

A Psico-Oncologia é uma área especializada que atua na interface entre Psicologia e Oncologia, buscando compreender e acompanhar os impactos emocionais, psicológicos e sociais relacionados ao câncer. A proposta é contribuir para um cuidado integral, considerando não apenas a doença, mas também a pessoa que está passando pelo tratamento.

Para Fabiana Caron, psicóloga e vice-presidente da SBPO, o acompanhamento psicológico pode ser importante em diferentes momentos da trajetória oncológica. Segundo ela, “a Psico-Oncologia é fundamental para que o paciente seja cuidado em sua integralidade. O câncer não afeta apenas o corpo, mas também aspectos emocionais, sociais e familiares. O acompanhamento psicológico pode ajudar o paciente a lidar com cada etapa dessa trajetória, favorecendo adaptação, qualidade de vida e enfrentamento”.

A atuação do psico-oncologista, no entanto, não está restrita ao tratamento de transtornos mentais. O profissional também pode oferecer suporte diante das mudanças e dos desafios provocados pelo adoecimento, ajudando o paciente a encontrar recursos para lidar com as diferentes etapas do tratamento.

As reações emocionais diante de um diagnóstico de câncer são individuais e podem variar significativamente. Fabiana Caron explica que não existe uma resposta emocional única diante do adoecimento. “Não existe uma única forma de reagir ao diagnóstico de câncer, uma vez que ele tem o potencial de ser um evento traumático por si só. O sinal de alerta é quando esse sofrimento se torna intenso, persistente ou começa a comprometer a rotina, os relacionamentos ou a adesão ao tratamento. Nesses casos, é importante buscar ajuda especializada”, relata a psicóloga.

O cuidado psicológico também pode se estender aos familiares e cuidadores. Com frequência, essas pessoas assumem novas responsabilidades e passam a vivenciar, junto ao paciente, sentimentos como medo, insegurança e sobrecarga física e emocional. Esse impacto pode se prolongar durante o tratamento e o acompanhamento da doença, produzindo repercussões biopsicossociais que também afetam a qualidade de vida.

Nesse sentido, a vice-presidente da SBPO ressalta que o familiar não deve ser visto apenas como alguém que acompanha o paciente. “O familiar também precisa ser reconhecido como alguém que vivencia o câncer. Muitas vezes, ele concentra suas forças em apoiar o paciente e acaba deixando suas próprias necessidades em segundo plano. O acompanhamento psicológico pode ajudar a elaborar essas experiências, lidar com a sobrecarga e encontrar recursos para permanecer ao lado de quem ama sem adoecer junto”, afirma.

A Psico-Oncologia também está inserida em uma perspectiva de cuidado multiprofissional. Psicólogos, médicos, enfermeiros, assistentes sociais, terapeutas ocupacionais, nutricionistas, fisioterapeutas e outros profissionais podem atuar de maneira integrada, considerando as diferentes necessidades apresentadas pelo paciente ao longo do tratamento.

Com mais de 35 anos de história, a SBPO tem contribuído para o desenvolvimento e a consolidação da Psico-Oncologia no Brasil, aproximando profissionais, conhecimento científico, formação e assistência. Para Fabiana Caron, a atuação de uma sociedade científica dedicada à área é importante não apenas para os profissionais, mas também para a população.

“Ao longo de mais de 35 anos, a SBPO ajudou a construir uma identidade própria para a Psico-Oncologia no Brasil, aproximando assistência, ensino e pesquisa. Hoje, seu papel é também olhar para o futuro, fortalecendo a formação dos profissionais e ampliando o reconhecimento de que a saúde mental é parte indispensável do cuidado oncológico”, destaca.

Para a Sociedade Brasileira de Psico-Oncologia, ampliar a discussão sobre saúde mental no câncer significa reconhecer que o tratamento precisa considerar a pessoa em sua integralidade. O sofrimento emocional não deve ser ignorado ou tratado como algo secundário diante da doença física. “Cuidar da saúde mental também faz parte do cuidado com o câncer. Pacientes e familiares não precisam enfrentar sozinhos os medos, as mudanças e os desafios dessa jornada. Buscar apoio psicológico não significa fragilidade, mas uma forma de cuidado, acolhimento e fortalecimento ao longo do tratamento”, conclui Fabiana Caron.