Com construção de jardineira de chuva, Santo André inova em infraestrutura verde

Equipamento está sendo implantado pelo coletivo MDDF, em parceria com a Prefeitura, para diminuir a sobrecarga do sistema de drenagem

As consequências da mudança do clima em Santo André, que tem enfrentado, por exemplo, maior incidência de dias com altas temperaturas e tempestades, moldaram as políticas públicas desenvolvidas no território, de forma que obras, projetos e outras ações possam preparar a cidade para ser mais resiliente em decorrência dos eventos extremos. Uma delas, recém-implantada, é a jardineira de chuva.

O nome não é comum, pois de fato trata-se de uma inovação. Esse tipo de infraestrutura verde serve para captar a água da chuva em telhados de residências (que, antes, cairia diretamente na calçada), armazená-la temporariamente, filtrá-la e, por fim, direcioná-la para áreas verdes.

Embora tenha características semelhantes ao jardim de chuva, solução baseada na natureza que já é explorada em diversos municípios, a jardineira possui essas funções específicas: reter a água, melhorar a qualidade hídrica e irrigar plantios, em vez de promover prioritariamente sua infiltração no solo.

Desta forma, ajuda também a reduzir a velocidade e o volume de água que terá como destino os sistemas convencionais de drenagem, como bocas de lobo e galerias de águas pluviais.

Projeto piloto

A nova infraestrutura verde está sendo instalada na Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello, na região dos bairros Vila Guarani e Centreville, pelo coletivo MDDF (Movimento de Defesa dos Direitos dos Moradores de Favelas de Santo André), em parceria com a Secretaria de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, o Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André) e a Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação.

“Estamos construindo uma Santo André mais preparada para os desafios impostos pelas mudanças climáticas. As jardineiras de chuva são um exemplo de como podemos unir inovação, sustentabilidade e soluções simples e eficientes para reduzir a sobrecarga do sistema de drenagem e, ao mesmo tempo, qualificar os espaços públicos. É esse modelo de cidade resiliente, sustentável e construída com a participação das pessoas que queremos ampliar em Santo André”, afirma o prefeito Gilvan Ferreira.

Essa proposta só foi possível graças à adesão da administração municipal ao programa Cidades Verdes Resilientes, chancelada durante a COP30 (30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima), realizada em novembro do ano passado, em Belém, no Pará.

“Nós conquistamos para a cidade R$ 1,5 milhão para implantar iniciativas de infraestrutura verde e de soluções baseadas na natureza na região da comunidade Nova Centreville, por meio da entidade selecionada pelo edital Periferias Verdes Resilientes, lançado pelo Ministério das Cidades”, explica o secretário de Meio Ambiente e Mudanças Climáticas, Edinilson Ferreira dos Santos.

“As jardineiras de chuva, construídas às margens do Córrego Cassaquera, são muito importantes para ajudar a não sobrecarregar dispositivos tradicionais de drenagem, especialmente em áreas com menos permeabilidade e histórico de inundações ou pontos de alagamento”, complementa.

Estrutura

Serão construídas nove jardineiras de chuva ao longo da Avenida Professor Luiz Ignácio de Anhaia Mello. Elas são de alvenaria e possuem em sua composição entulho ou brita, manta bidim, terra e plantas, isto é, materiais filtrantes.

Uma canaleta encaminhará parte da água para o canteiro central existente na via, entre a calçada e a faixa ciclística, contribuindo para irrigar as espécies plantadas.

Favelas Verdes Resilientes

As jardineiras fazem parte da segunda etapa do projeto Favelas Verdes Resilientes, desenvolvido pelo coletivo MDDF na região do Nova Centreville, com apoio do Instituto Rios e Ruas, Instituto Árvores Vivas, Guajava Arquitetura da Paisagem e Urbanismo.

A primeira fase foi dedicada à realização de oficinas de capacitação e educação ambiental com os moradores.

Coordenador da iniciativa, Felipe Palma explica que o MDDF realizará na comunidade diversas intervenções de soluções baseadas na natureza. “Após as jardineiras de chuvas, construiremos canteiros pluviais, teremos ações de arborização urbana e também mais um Quintal Verde na cidade, espaço para fomentar práticas de compostagem de resíduos orgânicos e de agricultura sustentável”, explica.

A proposta é associar infraestrutura verde, educação ambiental e participação comunitária, ampliando a capacidade do território de enfrentar os efeitos das mudanças climáticas, além de promover a requalificação de espaços públicos degradados.