Cesta básica está mais cara em 17 capitais

O arroz, feijão, café e os derivados de trigo tem novas altas expressivas e já mostram o risco de continuidade desses repasses ao consumidor  

Os produtos que compõem a cesta básica vêm sentindo o aumento nos preços desde o início da pandemia. Alimentos como feijão, café, óleo de soja, além do arroz estão mais caros e podem impactar nos custos finais da cesta. De acordo com a Pesquisa Nacional da Cesta Básica de Alimentos, realizada mensalmente pelo DIEESE, o custo dos alimentos em junho subiu em oito capitais brasileiras, com destaque para Fortaleza (1,77%), Curitiba (1,59%) e Florianópolis (1,42). O estudo foi feito em 17 capitais e todas tiveram alta de preços em comparação com junho do ano passado.  

Segundo o Departamento de Compras da Real Cestas, os preços de todos alimentos, em especial o café, foram alterados. O valor está subindo decorrente ao clima. O Brasil sofre uma seca histórica há alguns meses, seguida por uma forte geada, que em plantações importantes, como em Minas Gerais, 70% da produção de café foi comprometida. As baixas temperaturas provocaram a desfolha das safras e até mataram plantas mais novas, fundamentais para as colheitas futuras.

A pesquisa recente do Ibre-FGV também mostra que alta de custos se espalha e terá novos efeitos para o consumidor. Os preços de insumos que servem de base para a cadeia produtiva brasileira registram a maior alta desde o início do Plano Real. Mas nem todo este aumento já chegou ao consumidor, apesar de ser possível identificar reajustes elevados nos preços de muitos alimentos. Os que acumularam, alta no IPA (índice de preços no atacado da FGV) de 25%, sendo que metade desse aumento já bateu no IPC (índice de preços ao consumidor da FGV).

Segundo Gustavo Defendi, diretor da Real Cestas, a alta do preço do arroz é decorrente da alta do milho. “O produtor teve que substituir o milho pelo arroz para a ração do gado”. Defendi acredita que não vai faltar alimentos, mas por causa das geadas, o arroz, feijão e derivados de trigo terão novas altas expressivas. “Para a dona de casa que vai ao supermercado, o que pode ser feito é mudar os produtos na hora da compra, buscando marcas de boa qualidade, mas com preços mais acessíveis. Existem opções a um preço mais em conta e com qualidade muito boas”, completa.