São Bernardo recebe maior encontro estudantil secundarista do país a partir de quinta-feira

Congresso da UBES espera mais de 10 mil estudantes secundaristas, de todos os estados, do ensino fundamental, médio, técnico e preparatório; programação envolve debates, atos políticos, atividades culturais e uma grande passeata centro de São Paulo contra a militarização do ensino

Jovens de todos os estados do Brasil que se organizam nos grêmios das suas escolas e nos institutos federais de norte a sul se encontram, entre os dias 16 e 19 de abril (quinta-feira a domingo) no 46º Congresso da UBES, a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas. São esperados mais de 10 mil estudantes. O encontro acontece em São Bernardo envolvendo estudantes do ensino médio, técnico e preparatório.

A UBES, que está prestes a completar 78 anos, é uma das principais entidades do movimento social brasileiro e seu Congresso é considerado o maior encontro estudantil da América Latina. Na sua 46ª  edição, o Congresso da UBES traz o tema “Democracia e soberania: um Brasil do tamanho da nossa rebeldia”. A programação  inclui dezenas de debates, grupos de trabalho, oficinas, atos políticos, atividades culturais, além de uma grande passeata, no centro da capital paulista, contra a militarização do ensino no Brasil.

As caravanas de ônibus de todas as partes do país que chegam a São Bernardo do Campo transformarão a cidade, conhecida pela sua história de lutas populares, também na capital estudantil do país. Os jovens do Congresso da UBES debaterão temas como a Reforma do Ensino Médio, o financiamento da Educação no país, a evasão escolar, os programas de permanência como o Pé de Meia, além de temas como o Passe Livre nos transportes, o acesso à Cultura e o combate às opressões como o machismo, o  racismo e a LGBTfobia.

Segundo o presidente da UBES, Hugo Silva, o encontro mostra a força dos estudantes em um momento de grande disputa de opiniões no Brasil: “Esse Congresso é a expressão viva da força da juventude brasileira organizada, que não aceita retrocessos e se coloca na linha de frente na defesa da democracia, da soberania e de uma educação pública de qualidade. Reunir milhares de estudantes é mostrar que temos um projeto coletivo para o país. Queremos que a escola seja nosso espaço de liberdade, pensamento crítico e construção de futuro.”

O Congresso da UBES é a principal instância da entidade, que se organiza também nas uniões estaduais e uniões municipais de estudantes, além dos grêmios. O encontro em São Bernardo do Campo marca a etapa final do Congresso, que também  já teve etapas estaduais, com a escolha de delegados e delegadas que agora representam suas escolas e suas cidades nas plenárias de deliberação do evento.

Rumos do Movimento Estudantil e a Nova Presidência da UBES

Um dos principais momentos do Congresso da UBES é a plenária final do evento, quando os delegados e delegadas de todos os estados definem os rumos do movimento estudantil secundarista para os próximos anos. Os estudantes também irão eleger a nova presidência e a nova diretoria da UBES. As eleições na entidade acontecem com a formação de chapas, que representam as diferentes correntes de opinião e pensamento do movimento secundarista. Ao final da votação, a nova diretoria da UBES é composta de forma proporcional por todas as chapas participantes, de acordo com o número de votos obtidos. Isto significa que a direção da UBES é formada por diferentes tendências políticas e de pensamento.

Democracia e soberania

Ao trazer os temas da democracia e da soberania para nortearem as discussões de seu Congresso, a UBES reafirma o papel da juventude na defesa do país, diante dos recentes períodos de instabilidade como a tentativa de golpe de estado no Brasil em 2023 e ataques de Donald Trump a diferentes países. O Congresso também é um importante momento de diálogo entre o governo federal e a juventude secundarista sobre os desafios do Brasil e da educação pública, quando o movimento estudantil apresenta suas reivindicações e contribuições para o desenvolvimento do nosso país, a ampliação dos direitos da juventude e a reconstrução nacional.

Debates trazem diversidade do Movimento Estudantil

Na pauta do Congresso da UBES estão temas que dialogam com a realidade cotidiana das escolas brasileiras, como o Plano Nacional da Educação, os cursinhos populares e o acesso à universidade, a educação inclusiva, o ensino técnico e a promoção da ciência e tecnologia na educação básica. Além disso, o encontro traz a grande diversidade de assuntos que permeiam o movimento estudantil. Entre eles o combate ao racismo e a igualdade racial, a luta contra o assédio e pelos direitos das mulheres, a Tarifa Zero e a mobilidade estudantil, esporte, cultura, as mudanças climáticas e a justiça ambiental, o mundo do trabalho e o fim da escala 6×1.

Passeata contra a militarização do ensino

No dia 17 de abril (sexta-feira), às 15h, os milhares de estudantes do Congresso da UBES realizam uma grande passeata, no centro de São Paulo, contra a militarização do ensino no Brasil. Com o tema “Nossa Escola não é Quartel”, a manifestação convida a sociedade a protestar contra o avanço das chamadas escolas cívico-militares, em diferentes estados do país, com ameaça à qualidade de ensino e supressão das liberdades estudantis. A passeata mobiliza estudantes, educadores e movimentos sociais para afirmar a liberdade de ensinar e aprender, a gestão participativa e o protagonismo estudantil. O ato denuncia iniciativas que restringem direitos e busca sensibilizar a sociedade para a importância de uma educação crítica, inclusiva e comprometida com a formação cidadã.

Quem são os secundaristas

São chamados estudantes secundaristas os cerca de 50 milhões matriculados no ensino fundamental, médio, técnico e pré-vestibular do Brasil. Nas escolas, começam a se organizar e se mobilizar em causas coletivas, pela mudança da educação e do país. O centro desse movimento são os grêmios estudantis, que também se organizam nas uniões municipais e estaduais de estudantes secundaristas. Todo esse movimento, unificado, compõe a União Brasileira dos Estudantes Secundaristas.

Sobre a UBES

Entidade histórica da organização estudantil no Brasil, a UBES foi fundada em 25 de julho de 1948, sendo referência na luta pela democracia e pela educação pública de qualidade no país. O movimento secundarista resistiu em momentos difíceis, como a ditadura militar brasileira. O jovem Edson Luís, morto em 1968 no Rio de Janeiro, tornou-se símbolo nacional de resistência ao regime. Além disso, a UBES foi protagonista de outros momentos decisivos como as Diretas Já, o Fora Collor e as jornadas de junho de 2013. Os secundaristas estiveram na linha de frente contra o governo Jair Bolsonaro, denunciaram a política de genocídio durante a pandemia de Covid-19 e lançaram a campanha nacional Vida, Pão, Saúde e Educação. Nós últimos anos, a UBES tem se manifestado pela revogação da Reforma do Ensino Médio, autonomia estudantil e livre organização dos grêmios, gestão democrática nas escolas, Passe Livre nos transportes e ampliação do programa Pé de Meia.

O 46º Congresso da UBES é realizado pela União Brasileira dos Estudantes Secundaristas e tem patrocínio da Caixa Econômica Federal, apoio da União Nacional dos Estudantes (UNE), Associação Nacional dos Pós-Graduandos (ANPG), Fundação de Apoio à Educação e ao Desenvolvimento Tecnológico do Rio Grande do Norte (Funcern), Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN) e governo federal por meio do Ministério da Educação, Ministério da Saúde e Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Serviço

46º Congresso da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas
16 a 19 de abril de 2006
Ginásio Poliesportivo De São Bernardo do Campo
Passeata no centro de São Paulo