Soberania em Xeque

A decisão do governo dos Estados Unidos de classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como Organizações Terroristas Estrangeiras acendeu um alerta vermelho no Palácio do Planalto. Sob a assinatura do secretário de Estado Marco Rubio, a medida – que passa a valer em 5 de junho – não é vista pelo governo Lula apenas como um endurecimento contra o crime, mas como uma ameaça direta à autonomia nacional e à estabilidade econômica do Brasil.

O ponto central da resistência brasileira reside no conceito de soberania. Para o governo, o rótulo de terrorismo abre precedentes perigosos no direito internacional, permitindo que potências estrangeiras exerçam pressões ou até intervenções diretas em território nacional. Gleisi Hoffmann já alertou que essa classificação oferece “guarida” para ingerências externas. O temor é compartilhado por moradores de áreas dominadas, que receiam tornar-se alvos colaterais de ofensivas americanas em solo brasileiro.

Além do risco geopolítico, há o impacto financeiro. O enquadramento permite que o Tesouro dos EUA sancione bancos e fundos com supostas ligações com as facções, o que pode desestabilizar o setor financeiro nacional. O ex-ministro Ricardo Lewandowski reforça que o crime organizado e o terrorismo possuem naturezas distintas: enquanto grupos terroristas buscam fins políticos ou ideológicos, as facções brasileiras visam lucro e domínio territorial. Equipará-los seria um erro conceitual com consequências práticas desastrosas.

A medida, incentivada por figuras como Flávio Bolsonaro, levanta suspeitas sobre as reais intenções de Donald Trump. Observadores apontam interesses ocultos que podem mirar recursos naturais, como terras raras e a Amazônia.

O governo é claro: condena as facções, mas defende que a solução seja brasileira. O combate eficaz exige inteligência e asfixia financeira, não rótulos que servem de “cavalo de Troia” para interesses externos.

Enquanto o crime se infiltra da Faria Lima à Assembleia Legislativa do Rio, o Brasil não pode abrir mão de sua autoridade para lidar com seus próprios dilemas de segurança pública.

A direção