O Gargalo Invisível: O software funciona, mas quem pilota?

O discurso político brilha ao anunciar portais e aplicativos nas cidades do ABC, mMas o que acontece nos bastidores do backoffice quando o holofote da inauguração se apaga?

O que vemos, não raro, é a tecnologia ser pouco explorada em seu potencial pleno, sistemas robustos e caros correm o risco de serem subutilizados porque falta uma cultura de governança e, principalmente, pessoas capacitadas para operá-los. Não basta o software funcionar; o time público precisa saber extrair o potencial dele.

É aqui que acende a luz para uma mudança urgente: a necessidade da figura de um CT O (Diretor de Tecnologia) público ou de um braço técnico subcontratado especializado. A tecnologia na gestão pública não pode ser tratada apenas como um setor de suporte que “conserta computadores” ou que lê dados na tela, mas sim como uma liderança estratégica de negócios dentro de programas de governo.

Para que a inovação mude a vida do cidadão na ponta, seja diminuindo filas ou acelerando processos, a gestão precisa ter claro seus KPIs (Key Performance Indicators/Indicadores-Chave de Desempenho). E estruturar programas com esses objetivos. O que os relatórios de dados estão nos dizendo hoje e para onde ele nos leva na arquitetura de projetos? Há correlação com as os planos de governo? editais e captação de recursos? Essa provocação positiva é para que olhemos pelo mesmo viés de países que já se desenvolveram: integração de informações.

Se a máquina gera o dado, o humano dá luz à ação assertiva. Informação guardada em servidor sem análise e aplicações bem definidas, podem ser desperdício de recurso público. Sem capacitação e sem um direcionamento técnico focado em melhoria contínua, acumulamos programas sem uma operação eficaz. Fica a casca moderna, mas a burocracia continua analógica.

Prefeituras que apostam na subcontratação de inteligência técnica e mentorias de TI não compram apenas softwares, compram eficiência real. A máquina é o motor, mas a governança humana qualificada é o piloto.

Como você vê o seu município gerenciando a governança dos dados? A engrenagem funciona na ponta?

Cristopher Ferraz de Araujo

Cristopher Ferraz de Araujo

Head de Negócios e Parcerias Estratégicas em Fourbrazil tecnologia (fourbrazil.com)