Não Calaremos!

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

4 de Julho

Alguém disse que o que não é notícia não existe. Em parte, é verdade. A mídia burguesa é especialista em escamotear a realidade deixando de dar notícias sobre o que não interessa divulgar.

Vemos isso em relação ao genocídio e à limpeza étnica promovida por Israel contra a Palestina. Oficialmente há um acordo de paz em andamento. Porém a determinação do governo israelense de assumir e controlar 70% de Gaza, continua deslocando a população civil para áreas restritas e assassinando pessoas por diversos meios. Aos poucos essas realidades vão deixando de ser veiculadas, de frequentar a preocupação das pessoas e de gerar indignação. É como se já não existissem.

Mas não é só a sonegação de notícias que faz com que se deixe de estar alerta sobre esses horrores. Há também um forte lobby da parte sionista da comunidade judaica no mundo, que atua nesse sentido. Não só buscando atenuar a percepção do que acontece, mas até justificar o expansionismo às terras palestinas.

A tramitação no Congresso Nacional do projeto de lei 1424/26 pode ser interpretada como parte desse lobby. Ele visa equiparar o antissemitismo ao crime de racismo, que prevê prisão e é inafiançavel. Sua justificativa é baseada nos parâmetros da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA) que definem o antissemitismo, em linhas gerais, como ódio aos judeus. Mas, a partir dessa mesma fundamentação, pode-se equiparar antissemitismo e antissionismo.

Sionismo é um movimento político, uma ideologia. Nasceu visando dar um estado nacional ao povo judeu e levou à criação de Israel. Na prática, porém, adotou uma política de extrema direita e até fascista, que justifica o expansionismo e a limpeza étnica contra o povo palestino. Ser antissionista é se posicionar contra essa ideologia e sua implementação prática. Mas é necessário ter a clareza que nem todo o povo judeu espalhado pelo mundo e mesmo em Israel, apoia o sionismo e as ações de seu governo. Por isso não se pode igualar antissionismo e antissemitismo.

Ao adotar essa equiparação o projeto de lei abre a possibilidade de que qualquer manifestação contra o governo de Israel e a guerra que promove seja criminalizada como racismo. Ou seja, é uma forma de cercear a livre manifestação contra o genocídio e a limpeza étnica promovida pelo estado israelense.

Isso levou apoiadores da causa palestina do ABC paulista, a promover um abaixo-assinado contra o projeto de lei 1424/26. Assine você também, em https://www.change.org/contra_a_mordaça_sionista

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com