São Paulo é um Estado acostumado a olhar para frente. Somos o maior centro econômico do país, temos universidades, empresas, centros de inovação, uma produção cultural intensa e uma população formada por pessoas de diferentes origens, histórias e sonhos.
Mas essas oportunidades estão chegando a todas as pessoas?
Esse é talvez um dos maiores desafios para os próximos anos: transformar a força que o Estado já possui em oportunidades concretas para quem vive, trabalha, empreende, estuda e constrói sua história aqui.
Não acredito que exista uma única solução para problemas tão complexos, mas que podemos começar pela educação para nos prepararmos para o futuro, para conseguirmos viver com mais segurança, liberdade e cultura para nos desenvolvermos e gerarmos mais recursos.
Educação além da sala de aula
Quando falamos em educação, pensamos apenas em escolas, professores e conteúdo. Tudo isso é fundamental, mas o desafio é maior.
Uma criança que entra na escola hoje viverá em um mundo profissional que será muito diferente daquele que conhecemos. Inteligência artificial, novas tecnologias, profissões que ainda nem existem e mudanças profundas na forma de trabalhar exigem uma educação capaz de preparar não apenas para uma profissão, mas para a capacidade de aprender continuamente.
Precisamos aproximar a educação das novas tecnologias, do empreendedorismo, das diferentes culturas, das artes e das necessidades do mercado de trabalho.
Isso significa ampliar o acesso à formação tecnológica, ao ensino de idiomas, à educação financeira e empreendedora e às ferramentas digitais, sem abrir mão daquilo que é essencial: leitura, escrita, pensamento crítico e formação humana.
A educação não pode ser apenas uma etapa da vida. Ela precisa ser uma ferramenta permanente de autonomia.
Empreender é superar obstáculos
Em São Paulo milhares de pessoas transformam diariamente uma ideia em um pequeno negócio, uma habilidade em fonte de renda e uma necessidade em oportunidade e, e mutas delas, são mulheres.
O empreendedorismo feminino vem ganhando espaço, mas as mulheres ainda encontram obstáculos relacionados a crédito, capacitação, redes de apoio e à conciliação entre atividade profissional e responsabilidades familiares. O próprio Sebrae aponta esses desafios como alguns dos principais entraves para o desenvolvimento dos negócios liderados por mulheres.
Por isso, precisamos discutir empreendedorismo de uma maneira mais ampla. Não basta dizer “empreenda”. É preciso perguntar: empreenda com quais recursos? Com qual capacitação? Com acesso a crédito? Com orientação? Com mercado?
Uma política pública eficiente pode ajudar a construir essa ponte.
Defendo programas que aproximem mulheres empreendedoras de capacitação, tecnologia, crédito, redes de relacionamento e oportunidades de negócios. Quando uma mulher consegue fazer seu negócio crescer, ela não melhora apenas a própria vida. Ela movimenta uma cadeia de fornecedores, gera renda, cria empregos e fortalece a economia local.
Segurança é viver sem medo
São Paulo possui sistemas importantes de monitoramento e estatísticas criminais, inclusive bases específicas sobre violência contra a mulher. O Estado também mantém o Programa SP Mulher, voltado ao enfrentamento da violência doméstica e familiar.
O próximo passo é fazer com que informação, prevenção e atendimento funcionem cada vez mais de maneira integrada.
Precisamos fortalecer a rede de proteção, melhorar a integração entre segurança, assistência social e demais serviços públicos, ampliar ações preventivas e utilizar tecnologia para identificar problemas e direcionar recursos.
Cultura é identidade
Minha história pessoal me ensinou que cultura tem o poder de aproximar pessoas.
Como escritora e profissional ligada à comunicação e ao intercâmbio entre culturas, pude experimentar de perto aquilo que São Paulo tem de mais especial: sua capacidade de receber diferentes povos e transformar essa diversidade em criatividade.
Mas ainda precisamos enxergar a cultura para além dos palcos, museus e livros. Cultura também gera trabalho.
Podemos estimular formação profissional para a economia criativa, facilitar o acesso de pequenos produtores a oportunidades, aproximar cultura e turismo, criar pontes com empresas e ampliar os intercâmbios culturais internacionais.
É importante saber que Estado não precisa fazer tudo sozinho. Pode trabalhar junto com municípios, universidades, empresas, organizações sociais, entidades empresariais e comunidades.
O desafio é conectar melhor tudo isso. Conectar educação e mercado de trabalho, mulheres a oportunidades, segurança e prevenção, cultura e desenvolvimento econômico.
É essa ideia de conexão que fez eu colocar meu nome à disposição para a Assembleia Legislativa de São Paulo. Para transformar minha experiência em contribuição e diálogo em ação.
Por Yoo Na Kim – Escritora, empreendedora e candidata a Deputada Estadual por São Paulo pelo Podemos