Os números do Grande ABC não apenas assustam; eles gritam. Em 2025, a região atingiu o recorde histórico de feminicídios, com um salto de 100% nos casos em relação ao ano anterior. A barbárie que vitimou Mariane Lima Alves, morta na casa dos pais em Diadema, e a tragédia recente na joalheria Vivara, onde Cibelle Monteiro Alves foi assassinada em pleno horário de trabalho no Shopping Golden Square, revelam uma realidade brutal: para a mulher no ABC, nenhum espaço é seguro quando o agressor decide não aceitar o fim.
O assassinato de Cibelle, esfaqueada por um ex-namorado que não admitia o término de seis anos, ilustra o que o Instituto Ficar de Bem alerta exaustivamente: o rompimento é o momento de maior risco. A violência não escolhe endereço, cruzando as portas das casas e as vitrines luxuosas de shoppings. Enquanto os estupros sobem 5,6% e as tentativas de morte se multiplicam, fica evidente que a rede de proteção está sendo vencida pela velocidade do ódio e pela sensação de impunidade que ainda encoraja o agressor.
Serviços como o CRAM II, em São Bernardo, são essenciais para oferecer acolhimento e saída jurídica, mas não podem agir sozinhos. Como pontua Sara Maria de Souza, do Ficar de Bem, o Estado urge por delegacias 24h, ampliação de casas-abrigo e monitoramento rigoroso de agressores. É inadmissível que uma jovem seja mantida refém e morta dentro de um centro comercial sem que os sinais anteriores de ameaça tenham sido contidos por uma estrutura de prevenção eficiente.
A responsabilidade por estancar esse sangue é coletiva e inadiável. Além das forças de segurança, empresas e instituições devem ser treinadas para identificar comportamentos abusivos, oferecendo suporte antes que a ameaça se concretize em tragédia. Se a sociedade e o poder público não agirem de forma articulada e permanente, os nomes de Mariane e Cibelle continuarão sendo reduzidos a estatísticas de uma guerra contra o feminino que a região parece estar perdendo. A proteção precisa ser um compromisso diário, antes que o próximo “não” se torne uma sentença de morte irremediável.
Canais de Emergência e Denúncia (24h):
Polícia Militar: Ligue 190 (para crimes em progresso ou risco imediato) e Central de Atendimento à Mulher: Ligue 180 (orientações e denúncias anônimas em todo o Brasil).
A direção