“URU” e o silêncio cinematográfico

José Vitor Gomes

José Vitor Gomes

20 de Março

Nota: 4 / 5

Dirigido por Saori Novak, “Uru” é o retrato de um personagem que está passando por um período nebuloso. A cena de apresentação do personagem Uru é triste e melancólica: ele está dormindo em cima do teclado de seu computador. Ao levantar e ver que já são 10h, seu campo visual está repleto de post-its que o assustam.

“Urgente”, “Até amanhã”, “Para ontem”. Ao abrir o calendário online, percebe que a data era o seu aniversário e, se não fosse pelo check-in simples, ele teria esquecido.

As cores reforçam as espirais de pensamentos negativos. Enquanto o mundo afora estava colorido, com o céu azul-claro, a casa de Uru tem uma coloração azul-escura e o quarto dele segue esse padrão, o que também é visível em suas roupas. Esses tons mudam quando ele sai de casa para ver sua amiga (ou companheira) Mina. De supetão, a coloração escura se torna leve, ainda assim no espectro azul.

Outra parte tocante é o design dos personagens: eles não tem boca. Com isso, os momentos de silêncio passam a ter um sentido mais profundo. Não há falas, o que me incomodou um pouco, apesar de já saber que “Uru” segue um roteiro subjetivo. A trilha sonora acerta em grande parte dos momentos: o canto dos pássaros e um violão simples, lembrando o ritmo da MPB.

Mesmo com o silêncio que pode incomodar parte do público, “Uru” constrói um retrato sensível sobre isolamento e exaustão emocional, apostando mais na atmosfera do que na narrativa tradicional.