O Futuro da Água no Grande ABC

Passada a mobilização do último dia 22 de março, o Dia Mundial da Água, o Grande ABC se vê diante de um cenário que exige mais do que celebrações anuais. Enquanto o debate global deste ano, proposto pela ONU, focou na relação entre “Água e Gênero”, as sete cidades da nossa região fecharam a semana olhando com apreensão para os seus próprios recursos. O Sistema Cantareira, vital para o abastecimento de parte da Grande SP e do ABC, encerrou o período operando em níveis críticos, próximos aos 20%, o que mantém em vigor a estratégia de redução de pressão noturna para evitar o rodízio severo.

A região é privilegiada pela monumental Represa Billings, um dos maiores reservatórios urbanos do mundo, que segue como o “pulmão azul” de São Bernardo e vizinhas. No entanto, o descaso histórico com o descarte de resíduos e o avanço das ocupações desordenadas ainda são fantasmas reais. Em resposta, cidades como Santo André, via Semasa, promoveram trilhas ambientais, enquanto São Caetano do Sul e Ribeirão Pires apostaram na educação de centenas de jovens e em caminhadas ecológicas para reconectar o cidadão com a origem do recurso.

Apesar das ações pontuais, o ranking do Instituto Trata Brasil reforça que o ABC ainda oscila na eficiência do tratamento de esgoto e no combate às perdas na rede. Vivemos ao lado de um espelho d’água colossal, mas a luta contra a escassez e a poluição é diária. Se o dia 22 serviu para alertar, o dia de hoje serve para cobrar: a abundância da Billings não é infinita.

Com os reservatórios no limite e o desperdício ainda correndo solto nas tubulações, até quando a natureza conseguirá suportar a nossa falta de cuidado com o recurso mais básico da vida?

A direção