Aconteceu na semana

Uma trama contra a vontade popular. Uma traição. A manipulação de parte da população. Omissão de autoridades. Um assassinato.

Aconteceu com um dos mais influentes líderes populares da história.

O que ele queria? Resgatar a dignidade de todas as pessoas, das mulheres, das crianças, dos pobres, dos estrangeiros. Eliminar preconceitos, contra doentes e pessoas com deficiência. Que a religião deixasse de ser meio de opressão e manipulação para o enriquecimento de alguns e se tornasse instrumento de libertação. Terminar com a exploração financeira, que era um conluio entre religiosos, ricos e o poder estrangeiro. Enfim, um mundo novo, de justiça, equidade, de vida em abundância e feliz para todos e todas.

Esse pode ser o roteiro sobre a semana da Páscoa – Semana Santa para cristãos e cristãs.

Em várias partes os Evangelhos dizem que o povo queria aclamá-lo rei e as autoridades conspiravam para pegá-lo. Ouvia, conversava, tocava nas pessoas excluídas e marginalizadas, leprosos, com deficiências, mulheres, na época não se podia conversar com elas nem as tocar em público. Pegava crianças no colo e dizia serem mais importantes que adultos. Dizia que os pobres deviam ser mais considerados que os ‘grandes’. Dizia que cuidar das pessoas era preferível a seguir preceitos religiosos como guardar o sábado. Que ninguém tinha o direito de tirar todos os recursos de uma pessoa para atender fins religiosos ou para pagar impostos do império.

Com respeito a todas as outras religiões, que no fundo não se diferenciam muito dos mesmos preceitos, essa é a história de Jesus, reconhecido pelos cristãos como Cristo, Deus presente na história.

Mas em muito o cristianismo se institucionalizou. Seguir o que diz a religião se tornou mais importante que seguir a mensagem de Jesus. O conluio com o poder político das elites ou de poderes estrangeiros e o sistema econômico dominante foi retomado. A salvação, que para ele chegava à realidade da vida concreta das pessoas, tornou-se somente espiritual. A religião serve para o enriquecimento de alguns enquanto explora os pobres.

Mas o cristianismo assumiu que a mensagem, a vida e a morte de Jesus é o meio pelo qual Deus salva a humanidade. E não podemos desconsiderar a concretude dos seus ensinamentos e sua prática de vida.

Além disso, será que trama contra a vontade popular, traição, manipulação da mente das pessoas, omissão de autoridades, assassinatos, é muito diferente do que acontece hoje com lideranças populares que lutam por um mundo melhor?

Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com