As recentes falas de Mauro Chekin, secretário de Esporte de São Caetano do Sul*, trazem à tona um debate que vai muito além de uma simples audiência pública. Quando um gestor descreve a inclusão como um “problema” ou cita limitações pessoais para lidar com o público PCD, ele acende um alerta sobre como a nossa sociedade ainda enxerga a diversidade. Mais do que um erro individual, o episódio nos convida a pensar: como podemos construir cidades realmente acolhedoras se quem planeja o esporte vê a diferença como um obstáculo?
O Brasil tem avançado, mas os desafios são reais. Hoje, cerca de 18,6 milhões de brasileiros possuem algum tipo de deficiência. Para essas pessoas, o esporte não é apenas lazer; é saúde, autonomia e dignidade. Quando barreiras – sejam elas físicas ou de pensamento – surgem no caminho, milhares de jovens acabam afastados de oportunidades vitais de convivência.
O impacto de falas assim ecoa de várias formas:
- O Valor do Exemplo: O Brasil é uma potência paralímpica, tendo conquistado 89 medalhas em Paris 2024. Esse sucesso mostra que o esporte não tem “normais” ou “deficientes”, mas sim atletas com diferentes capacidades.
- O Papel das Leis: A Lei Brasileira de Inclusão (LBI) não é uma sugestão, mas um guia para garantir que o direito de um cidadão não dependa da vontade de quem administra.
- O Apoio às Famílias: O esporte deve ser um porto seguro. Quando o discurso público gera receio, as famílias podem se sentir desmotivadas a buscar espaços que deveriam ser de plena aceitação.
Embora a gestão municipal veja os erros como parte de um processo de aprendizado, a permanência do secretário no cargo levanta uma questão sobre a agilidade que esperamos das políticas de inclusão. O esporte tem o poder de unir e transformar, mas, para isso, precisa ser liderado por quem acredita que a piscina, a quadra e o pátio são lugares de todos, sem exceção. Que este caso sirva para transformarmos “dificuldades” em novas formas de acolher.
A direção
*Mauro Chekin pediu exoneração do cargo na noite do dia 08 de maio de 2026, após o fechamento de nossa edição impressa.