A Seleção pode “salvar” o Brasil de si mesmo?

Neste sábado (13), no gramado do Met Life Stadium, o Brasil inicia mais uma jornada em busca da sexta estrela. Mas, ao contrário de outras edições, o apito inicial contra o Marrocos carrega um fardo que vai muito além das quatro linhas. O desafio da Seleção em 2026 é duplo: provar que existe vida inteligente sem Neymar e forçar uma trégua em um país que esqueceu como torcer junto.

A ausência de Neymar nas primeiras partidas devido a lesão na panturrilha, é o primeiro grande teste da “Era Ancelotti”. Por anos, a Seleção foi refém da dependência técnica – e emocional – de seu camisa 10. Estrear sem ele é, ironicamente, a chance de o Brasil se reencontrar como equipe. É a hora de Vinícius Júnior, Endrick e companhia mostrarem que o protagonismo não tem dono, mas método. Sem a sombra do craque, o coletivo de Ancelotti precisa ser o protagonista.

No entanto, o maior adversário do Brasil não veste a camisa de Marrocos, nem da França ou da Espanha. O maior rival é a polarização que sequestrou a amarelinha. Nos últimos anos, a camisa da Seleção deixou de ser um uniforme esportivo para virar uma bandeira política, dividindo arquibancadas e famílias.

Mas não se pode ignorar o óbvio: o hexa não pertence a nenhum governo, partido ou ideologia. A expectativa de uma “trégua política” durante o Mundial não deve ser vista como uma fuga da realidade, mas como um exercício necessário de cidadania esportiva. Se o Brasil quer voltar ao topo do mundo, precisa primeiro baixar as armas no sofá de casa.

O estádio da estreia do Brasil também será o palco da grande final. Dar o pontapé inicial lá é um convite ao destino. Se os jogadores conseguirem superar o desfalque de seu maior ídolo com futebol, arte e disciplina, talvez nós, daqui, possamos aprender algo com eles. Que os 90 minutos de cada jogo sejam o nosso único território comum. O Brasil precisa do hexa, mas precisa ainda mais de um motivo para voltar a se abraçar sem perguntar em quem o outro votou.

A direção