Esta semana circulou uma notícia pouco comentada, mas que traz à superfície várias questões fundamentais sobre o desenvolvimento do Brasil.
A Alemanha vetou a venda de blindados “brasileiros” Guarani, no valor de 47 milhões de dólares, para o exército filipino. O caro leitor deve estar pensando o que a Alemanha tem haver com a venda de um blindado brasileiro para o país asiático? Por que os alemães vetaram a exportação? O que garante este poder a um país estrangeiro?
O problema é o seguinte, o blindado “brasileiro” é produzido através de uma parceria do exército brasileiro com uma empresa italiana, em Minas Gerais, mas boa parte dos seus componentes eletrônicos e sensores são de origem germânica, isto garante aos alemães o poder de vetar a venda do blindado para qualquer país.
E por que os alemães estão criando esse empecilho nesta transação? Porque o Brasil se recusou a enviar munição para a Ucrânia (medida acertada do governo diga-se de passagem) e estão aproveitando a oportunidade para retaliar o nosso país.
Essa notícia escancara dois elementos fundamentais para compreendermos qual o papel de um país com uma industrialização subordinada e de caráter dependente e periférico no sistema internacional.
Primeiro, como a ausência de desenvolvimento técnico-científico independente e de um projeto de industrialização soberano, nos deixa reféns da tecnologia dos países centrais. Como somos apenas um intermediário no processo de criação de valor, ficando o grosso do desenvolvimento fora do país.
Ocupar esta posição nunca permitirá que deixemos nosso papel colonial para trás, é preciso desenvolver cadeias nacionais de produção técnica-científica e um verdadeiro processo de industrialização.
O segundo elemento que esta notícia realça é o papel que o imperialismo europeu exerce e como transforma sua força econômica em pressão política sobre países dependentes como o nosso.
Precisamos superar esta subordinação e para isso é necessário transformações estruturais e profundas.
Max Marianek
Graduado em História pela CUFSA e funcionário público