Relações Humanas e Violência

Relações humanas são e sempre foram complicadas. Ultimamente, porém, ao menos ao que parece, estamos passando por um tempo de agudização nessas relações. Simples conversas viram discussões. Discussões viram violência. A violência doméstica aflora com mais intensidade. Um indicativo, no caso, é o aumento expressivo no número de feminicídios. Mas é sabido que o feminicídio resulta do acúmulo de muitos episódios de violência que se estendem no tempo e se agravam cada vez mais, até chegar a esse horroroso desfecho.

Superficialmente e ressalvadas as complexidades, duas hipóteses para compreendermos o acirramento nas relações humanas.

Na perspectiva política, é possível que ele seja resultado de posturas racistas, homofóbicas, misóginas, frutos de suposta supremacia de um grupo sobre a maioria. Todos sabemos da ocorrência deste fenômeno na Segunda Guerra Mundial, em que a chamada “raça ariana” se reivindicava superior às demais, o que resultou no massacre de judeus, ciganos, homossexuais etc. Esse comportamento se repete hoje nas posturas de direita, em ascensão em diversas partes do mundo, especialmente em relação a pretos, pobres e estrangeiros. Uma amostra disso é a expulsão de imigrantes dos EUA, o que está sendo copiado pelo recém-empossado governo do Chile, que prepara a extradição de imigrantes de outros países latino-americanos. Ao se normalizar a violência nesse âmbito, legitima-se comportamentos violentos em todos os poros da sociedade.

No plano econômico, verifica-se que no capitalismo, mais ainda em sua fase neoliberal, tudo se transforma em mercadoria e na busca do lucro máximo, no “lavar vantagem em tudo”. As próprias relações entre as pessoas acabam refletindo isso e hoje é comum que se escolha companhias, não por afinidades afetivas, mas por vantagens ou desvantagens que se possa ter. É contabilização e mercantilização das relações. Um pressuposto da mercantilização é a ‘coisificação’ do outro. Ele deixa de ser pessoa e passa a ser coisa que possui ou não. Isso se reflete na relação entre marido e mulher, por exemplo. A posse se transforma em direito absoluto sobre a outra pessoa. Daí a não aceitação que ela tenha sua própria autonomia.

Alguém já disse ser mais possível imaginar o fim da humanidade do que o fim do capitalismo. Porém precisamos pensar que quem viveu durante as centenas de anos do feudalismo, dificilmente poderia pensar na chegada do capitalismo. Esperancemos que ele também chegará ao fim. Do contrário é possível que cheguemos ao fim da humanidade.

Professor Luiz Eduardo Prates
luizprts@hotmail.com