Com os recentes ataques de Donald Trump em todo o mundo, mas especialmente na América Latina, principalmente com o sequestro do presidente venezuelano Nicolás Maduro, ficou claro que a política de Washington é reafirmar o controle sobre a região para servir de reserva estratégica em sua luta pela manutenção da hegemonia global contra a China.
Com relação ao Brasil, essa política se expressou através das fortes tarifas impostas aos produtos brasileiros, da pressão sobre as terras raras, das ameaças e ataques ao PIX, além de outras medidas.
No caso do PIX, além de servir como medida para controlar o Brasil, garantindo mercado para as empresas de meios de pagamento digitais dos EUA, que através de tarifas têm mais uma forma de escoamento do excedente nacional para o estrangeiro e acesso aos dados financeiros do Brasil, ele também auxilia na luta dos Estados Unidos para manter a hegemonia do dólar.
Fica cada vez mais escancarado o declínio relativo da economia estadunidense frente ao crescimento chinês. Desta maneira, o dólar é um dos últimos bastiões da manutenção da hegemonia estadunidense, pois é através do dólar, graças à sua característica de ser a moeda de reserva e de transações internacionais, que os EU A conseguem financiar seus constantes déficits comerciais e sua indústria de guerra, abrindo espaço para gastarem muito mais do que sua economia produz.
Foi inclusive através de medidas monetárias, entre outras, que Washington conseguiu superar as últimas crises que ameaçavam o país.
Não é à toa que Marco Rubio, secretário de Estado, afirmou há algum tempo: “Em cinco anos, não precisaremos mais falar sobre sanções. Haverá tantas nações operando fora da órbita do dólar que perderemos a capacidade técnica de impor bloqueios econômicos.”
É neste contexto que devemos entender a luta contra o PIX por parte dos EUA. Não é apenas para garantir reserva de mercado para empresas estadunidenses, mas também para não permitir a ampliação da criação de meios de pagamento alternativos, que representem embriões independentes de sistemas de pagamentos internacionais e que possam diminuir o poder do dólar.
Neste sentido, em vez de ceder à pressão decadente dos EUA e acabar com o PIX, como desejam Flávio e Jair Bolsonaro, traidores nacionais que atuam em favor dos interesses norte-americanos, o Brasil deve fortalecer o PIX, internacionalizando o sistema e integrando-o a outras redes de pagamentos instantâneos pelo mundo, ao desenvolver sistemas independentes.
Max Marianek
Graduado em História
Funcionário Público