A Falência das Privatizações em São Paulo

Max Marianek

Max Marianek

25 de Julho

Nesta semana, assistimos a mais um evento catastrófico relacionado a um serviço público privatizado em São Paulo. Não bastassem os constantes apagões causados pela incompetência da ENEL e, há pouco tempo, a explosão causada pela Sabesp (que, nos últimos dias, também provocou vazamentos de gás em Osasco e no Butantã), tivemos o caos no transporte paulista, causado pela concessionária privada Trivia Trens, com direito a fogo em um dos trens, por sorte sem vítimas fatais.

A empresa assumiu completamente a operação das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade. Sob a administração privada, as linhas acumularam diversos problemas, até o grave evento ocorrido no dia 23/07, quando um trem pegou fogo e as linhas ficaram praticamente paralisadas durante o dia inteiro.

Agora, o Governo de São Paulo determinou que a operação das três linhas deve voltar para a estatal CPTM durante 90 dias. Uma grande ironia, já que o governador Tarcísio de Freitas sempre afirmou que era necessário privatizar tudo para melhorar a eficiência.

Mas os problemas não se limitam às linhas que voltaram para a CPTM. Todas as linhas que foram privatizadas apresentam constantemente mais problemas do que as operadas por empresas públicas, apesar de receberem muito mais recursos do que a CPTM e o Metrô. Em 2025, dos R$ 2,8 bilhões destinados às linhas de metrô e trens, somente R$ 335 milhões ficaram com as empresas estatais, enquanto os outros R$ 2,458 bilhões abasteceram os cofres privados.

As linhas privatizadas foram as que mais registraram crescimento no número de falhas no primeiro semestre de 2026. A Linha 7-Rubi, da TIC Trens, foi a que apresentou o maior percentual de aumento: alta de 600%, passando de 3 falhas em 2025 para 21 no primeiro semestre de 2026. Vale lembrar que a Linha 7-Rubi foi privatizada em novembro de 2025; portanto, antes da privatização, havia registrado apenas três falhas.

Isso escancara a falácia do discurso do “privatiza que melhora”. Pelo contrário, ao privatizar, vemos que o serviço piora, e muito. Essa percepção também se reflete nas pesquisas de opinião, como a do Datafolha divulgada em julho: 56% afirmaram ser contrários à privatização do metrô e 53% à privatização dos trens.

Este é mais um episódio que ilustra de forma claríssima o mal que as privatizações causam aos serviços públicos.

O governador Tarcísio de Freitas vem se mostrando um grande incompetente, com um toque de Midas ao contrário, deixando tudo o que toca apodrecer. Insiste em privatizar as empresas de São Paulo independentemente das consequências e dos constantes problemas, defendendo apenas os interesses de um punhado de grandes empresários que lucram muito com essas privatizações.

Max Marianek

Max Marianek

Max Marianek é Professor de História e Funcionário Público