Como discutimos na última coluna, os EUA reforçaram a sua postura intervencionista em toda a América Latina, conseguindo colocar em diversos governos da região lideranças favoráveis aos seus desígnios.
O Brasil, como principal país da região, por sua força econômica, demográfica e de recursos naturais, e por ter um governo que não se alinha automaticamente aos desejos de Washington, está no olho do furacão das tentativas estadunidenses de intervenção.
A pressão dos EUA vem em uma crescente, desde as tarifas sobre as exportações até a retirada de visto da embaixadora brasileira, a classificação do PCC e do CV como organizações terroristas, para justificar futuros ataques ao país, o envio de dinheiro para organizações nebulosas no Brasil, que dizem lutar contra a “censura e o STF”, e assim por diante. Estas são as ações que temos conhecimento público; imagine o que não está ocorrendo também nos bastidores, através dos serviços de inteligência dos EUA. Inclusive a Abin (o serviço de inteligência brasileira) elaborou um documento que emitia um alerta crítico sobre as possibilidades de interferência dos EUA nas eleições.
O fato é que a intervenção já está acontecendo e vai continuar. A sua primeira etapa é a atuação nas eleições. O plano de Washington parece ser primeiro tentar uma saída “democrática”, com a eleição de Flávio Bolsonaro, que tem uma postura claramente subordinada aos EUA, garantindo assim um governo subserviente aos seus interesses. Interesses que, no momento, incluem o domínio das terras raras brasileiras, o fim do Pix e a entrega das transações financeiras brasileiras a empresas norte-americanas.
Porém, caso o primeiro plano, a vitória eleitoral de Bolsonaro, não obtenha sucesso, a impressão que fica suspensa no ar é a da elaboração de outro plano: a de uma nova tentativa golpista.
Uma das causas da derrota do golpe de 8 de janeiro foi a ausência de apoio estadunidense, pois o governo estava nas mãos de Joe Biden, do Partido Democrata, adversário de Donald Trump. Agora, com o governo controlado por Trump, um novo golpe não será apenas apoiado, mas incentivado pelos EUA.
E depois das declarações do Ministro da Defesa José Múcio de que deveríamos abrir o portão para os EUA, e das notas dos clubes militares que saíram no início de setembro, jogando a culpa das agressões de Washington no governo brasileiro, vemos que já há uma certa sincronia entre Trump e as Forças Armadas.
Por isso, todas as forças democráticas devem estar atentas, com a vigilância redobrada após as eleições, pois somente através de uma atuação política enérgica e de grande envergadura das massas será possível barrar qualquer provável tentativa golpista por parte dos EUA e sua quinta coluna.
E devemos nos lembrar da pergunta de Brizola: “Aonde está hoje a CIA no Brasil?”