Testemunho – Coração Aberto

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

3 de Outubro

Domingo, 04 de outubro, eleições no Brasil. Também se completam três meses do falecimento de minha esposa, em 04 de julho, coincidentemente no dia de seu aniversário. Decidi votar em homenagem a ela.

Foi pastora na Igreja Metodista. O que faz um pastor, uma pastora, autênticos, que não tem por objetivo manipular a fé das pessoas em proveito próprio, principalmente financeiro? Diz Rubem Alves no livro O que é Religião, “viver dores e alegria de outros”. Não têm a vida centrada em si. Por definição, se preocupa com a salvação dos outros.

Por muito tempo salvação foi pensada para após a morte, para a eternidade. Mais recentemente chegou-se à compreensão, pela leitura dos Evangelhos, que essa salvação não é só para o além. Tem que ser para o agora, também. Especialmente em um lugar e tempo em que estruturas sociais rígidas e injustas condenam a imensa maioria à dor, ao sofrimento e ao choro, uma pequena parte vive relativamente bem e um grupo ainda menor, pequeníssimo, vive regaladamente. E em que os bens e riquezas acumulados são produzidos por quem não fica com nada.

Por isso, encarna como sua missão chorar com quem chora, consolar quem está desconsolado, sofrer com quem sofre, alegrar-se com quem se alegra, amar a todos e todas. E buscar alternativas para essa situação. Pessoais e estruturais.

Minha esposa foi assim. Cuidou de igrejas pequenas, comunidades muito carenciadas, como de migrantes da área rural buscando empregos de baixos salários em zonas industriais e em igrejas grandes, mas sem perder a perspectiva dos pequenos. Após um tempo, por questões internas da Igreja, perdeu o lugar institucional de pastora. E retomou uma atividade que já fazia há tempo, redirecionando sua vida para o cuidado de pessoas com deficiência, especialmente mães de pessoas nessa condição. Fez sua tese de doutoramento sobre esse movimento, publicada como “Da invisibilidade à Visibilidade – um olhar sobre a trajetória da Fraternidade Cristã de Pessoas com Deficiência”. Fraternidade que iniciou cristã, mas acolhe pessoas de todas as religiões e sem religião.

Por toda essa trajetória, desenvolveu sensibilidade especial para uma espiritualidade profunda e envolvente, mas engajada com o aqui e agora e com a causa e as dores dos mais pequeninos. E foi reconhecida por isso, sendo chamada a coordenar os momentos de espiritualidade do Movimento Nacional de Fé e Política, no seu 13º Encontro Nacional.

Por toda essa trajetória, voto em sua homenagem. E como ela certamente faria, voto em Lula para Presidente, em Haddad para Governador e em Marina e Simone para Sanadoras. Ah! As mulheres! Ela sempre votava em mulheres.

Luiz Eduardo Prates

Luiz Eduardo Prates

Professor Luiz Eduardo Prates luizprts@hotmail.com