Não à toa se disse, quando Donald Trump assumiu o governo dos Estados Unidos, que se iniciava uma nova etapa na história do mundo. De lá para cá tivemos pelo menos três grandes eventos: o tarifaço, a invasão da Venezuela com o sequestro do presidente Maduro e a guerra ao Irã. O que choca em todos eles, é a prepotência e o descaramento nunca antes vistos.
O caso da Venezuela foi precedido pelo afundamento de vários barcos de pequeno e médio porte no mar do Caribe, com a morte de seus tripulantes, sob o pretexto que transportavam substâncias ilícitas para os Estados Unidos. A violação da soberania nacional da Venezuela e o sequestro de seu presidente foram apenas a continuação dessas ações monstruosas. O alegado cartel de exportação de drogas também não foi confirmado. O que ficou evidente é que o objetivo era se apossar do petróleo venezuelano. O que não deu certo. O discurso sempre propalado pelos norte-americanos de defesa da liberdade e da democracia nem foi usado, tal a flagrante inverdade que representaria.
Em junho do ano passado tivemos os primeiros ataques ao Irã, consorciados entre Israel e Estados Unidos. No último sábado, dia 28, os Estados Unidos retomam a guerra sob a acusação de que o Irã estaria no processo de produção da bomba atômica.
Foi uma agressão vil e traiçoeira, completamente injustificada, haja vista que estava em curso um processo de negociações que teve uma reunião na sexta-feira na qual foi marcado o prosseguimento para a segunda-feira seguinte. E no sábado, os primeiros ataques.
Logo no início foi alvejada uma escola de meninas, com 160 mortas e o líder supremo da nação e de religiosos xiitas de outros países foi assassinado.
Quais os reais motivos para essa guerra? É uma pergunta de resposta complexa. Porém, certamente a geopolítica mundial com a ameaça à hegemonia norte-americana no mundo, o multilateralismo e o crescente papel de China e Rússia neste cenário são fatores preponderantes. Mas também e sempre, o petróleo.
A expectativa de vitória dos EEUU nos primeiros dias não se confirmou. Não sabemos quais serão os desdobramentos. Analistas não descartam nem mesmo a extensão da guerra a muitos outros países e o uso da bomba atômica.
Parte da grande imprensa do Brasil apoia e faz coro aos Estados Unidos. Mas uma pergunta que precisamos fazer é: é justificável a interferência de um país estrangeiro na soberania de outro país, por mais que seja uma grande potência? Cuidado. Se aceitarmos essa tese, nosso país estará em risco.
Professor Luiz Eduardo Prates
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